Capítulo 4: História da investigação em Portugal


4.1. Os menires

4.1.1. As descobertas

A mais antiga referência aos menires, no Alentejo Central, deve-se a Gabriel Pereira (Pereira, 1880), que interpretou como tal um monólito, conhecido localmente como o Padrão do Mouro.

Trata-se efetivamente de um menir de secção transversal achatada, “a recordar a lâmina de um punhal gigante” (Pereira, 1880: 254) - o menir de Vale de Besteiros (nº 39) - que teria sido demolido por camponeses, pouco antes da visita de reconhecimento efetuada pelo arqueólogo eborense.

                        Fig. 4.1 - Ilustração que acompanhava a notícia da descoberta do primeiro

                                            menir alentejano (seg. Pereira, 1880: 253).


O monumento relaciona-se igualmente com uma tradição, de origem renascentista, transcrita pelo padre Julião Sarmento Guião, no Dicionário Geográfico (Memórias Paroquiais de 1758) na Memória 204, referente à Freguesia de S. Bento de Pomares: “na herdade do Garducho se acha hum vale a que dão o titulo de besteyros e no alto do mesmo vale para a parte do Sul distante trezentos paços pouco mais ou menos se acha hum pedrão hé tradição levantara Viriato em memória de huma das vitórias que alcançou o mesmo Viriato contra os romanos no mesmo vale de besteyros no simo do dito vale se acha huma fonte manacial de todo o anno de agoa excelente.” (Guião, 1758)

Tudo indica que terá sido o próprio André de Resende quem, provavelmente partindo de uma interpretação imaginativa do Padrão do Mouro e empenhado na construção de uma “história” apologética de Évora, fixou o episódio das “Guerras lusitanas” em S. Bento dos Pomares, inventando, para reforçar o “facto”, uma lápide nada convincente (Encarnação, 1991: 197-198).

Gabriel Pereira que, aparentemente, desconhecia a história da pretensa relação entre o menir e Viriato, estava, no entanto, consciente de que este tipo de megálito era “vulgar noutras partes” mas, ao mesmo tempo, convencido de que era “excepcional no ocidente da península, único representante dessa espécie” (Pereira,1880: 255); na verdade, por essa altura, conhecia-se já, a Norte do Tejo, uma escassa meia dúzia de menires (Ferreira, 1864; Costa, 1868; Vilela, 1876; Silva, 1877). A Sul do Tejo, só em 1891 viriam a ser publicados os primeiros menires do Algarve, os do Monte de Roma, Monte Branco e Cumeada (Veiga, 1891).

Apesar do interesse de Gabriel Pereira por um tema que, em Portugal, era, nessa altura, ainda praticamente inédito, o Padrão do Mouro caiu, entretanto, no esquecimento; foi redescoberto e novamente publicado, por Paulo Lima (Lima, 1992), embora sem qualquer tipo de descrição ou referência bibliográfica.

Entretanto, acabou por ser só com Georg Leisner, nos anos quarenta do século vinte (Leisner, 1944), que o tema, ainda que de forma indireta, voltou a receber alguma atenção. De facto, os arqueólogos alemães, Georg e Vera Leisner, apesar de terem feito um registo bastante exaustivo dos monumentos megalíticos funerários alentejanos, passaram literalmente ao lado dos menires e recintos megalíticos. As excepções são constituídas pelo menir associado ao sepulcro de Vale de Rodrigo (nº 46) e pelo recinto de Vale d’El Rei (nº 15), em Pavia, ao qual os descobridores não dedicaram nenhuma atenção especial (Leisner e Leisner, 1956). Publicaram-no com uma nota breve, juntamente com outros recintos de duvidosa cronologia pré-histórica e com um levantamento sumário e deficiente. Curiosamente, também este monumento foi esquecido, redescoberto e publicado com outro nome, cerca de duas décadas mais tarde (Zbyszewski et al, 1977).

O casal Leisner publicou também um hipotético (mas improvável) recinto megalítico, de dimensões desmesuradas, hoje destruído por trabalhos agrícolas, na área da Tourega, Évora (Leisner e Leisner, 1956).

Ainda nos anos quarenta e cinquenta do século vinte, Manuel Heleno descobriu e anotou, nos seus cadernos de campo, pelo menos mais dois menires: um no interior de uma anta (a anta do Arneiro dos Pinhais, hoje desaparecida), e um outro, junto à povoação de S.Geraldo (nº 67), segundo informação de L. Rocha, que tem vindo a estudar os cadernos inéditos de M. Heleno.

Finalmente, nos anos 60-70, os menires tornaram-se um tema grande da arqueologia pré-histórica alentejana: Henrique Leonor Pina, em Évora e José Pires Gonçalves, em Reguengos de Monsaraz, ambos arqueólogos amadores, descobriram e deram à estampa a maior parte dos mais importantes recintos megalíticos da Península Ibérica: Almendres (nº 1), Portela de Mogos (nº 4) e Xarez (nº 6); descobriram e publicaram ainda um bom número de menires isolados ou recintos de menor entidade, nomeadamente os menires do Outeiro (nº 29), da Belhoa (nº 44), dos Perdigões (nº 13) e das Vidigueiras (nº 56), em Reguengos de Monsaraz, ou os menires do Monte dos Almendres (nº 32), de Vale de Cardos (nº 35), da Casbarra 1 (nº 31), da Correia (nº 41), da Oliveirinha (nº 27) e das Veladas (nº 36), em Évora. (Pina, 1969, 1971, 1976;Gonçalves, 1970, 1972, 1975).

Quintino Lopes, que integrou com Leonor Pina e Galopim de Carvalho o chamado “Grupo do Hospital”, descobriu, por seu turno, o recinto do Monte da Ribeira (nº 9) (Gonçalves, 1970; Pina, 1971).

Já na década de oitenta do século passado, Pires Gonçalves (Gonçalves, 1981) localizou e publicou os menires da Pedra Longa (nº 16) e Mário Varela Gomes escavou esses menires, assim como o recinto megalítico de Cuncos (nº 7), que publicou juntamente com referências ao menir da Courela das Casas Novas (nº 48), ao menir do Sideral (nº 42) e aos restos do recinto megalítico das Casa de Baixo (nº 12) (Gomes, 1986).

Nos finais da década, M.V. Gomes escavou o recinto dos Almendres (Gomes, 2002) e Colin Burgess, no âmbito de um projeto de prospecção arqueológica, localizou e publicou os menires de S. Sebastião (nº 8) (Burgess, 1987: 40).

A década de noventa voltou a trazer novidades sobre os menires centro-alentejanos. Foi descoberto e escavado o recinto de Vale Maria do Meio (nº 2) (Calado e Sarantopoulos, 1996; Calado, 1999) e escavado o recinto da Portela de Mogos (nº4) (Gomes, 1997); foi ainda descoberto e sondado o recinto do Tojal (nº5), escavado o menir do Monte do Tojal (nº57) (Calado, 2003b) e os menires de S. Sebastião, trabalhos cujos resultados integram o presente estudo. Foram, por outro lado, efetuadas várias campanhas de prospecções, de que resultou um número significativo de novos menires, a maior parte dos quais permanecem inéditos e foram inseridos na base de dados apresentada no segundo volume deste trabalho.

4.1.2. As interpretações

As primeiras tentativas de interpretação dos significados e das funções dos menires coincidem, até certo ponto, com o nascimento do próprio megalitismo; porém, mais do que os monumentos funerários, os menires mantêm, ainda hoje, nesse aspecto, uma elevada margem de incerteza.

A bibliografia arqueológica portuguesa reflectiu, como seria de esperar, as interpretações surgidas nas áreas megalíticas europeias em que, por diversas razões, os menires chamaram mais precocemente a atenção dos estudiosos.

Gabriel Pereira, no texto em que fez referência a menir de Vale de Besteiros (nº 39), discorreu genericamente sobre os padrões e marcos delimitadores de territórios, sublinhando que estes se implantavam “antigamente com grande solenidade e formalidades”, “com testemunhas e cerimónias simbólicas” (Pereira, 1880: 254).

Trata-se, como veremos, de uma linha interpretativa bastante actual, em que se cruza uma função pragmática com um contexto eminentemente simbólico e ritual.

Na década seguinte, tendo em mente, sobretudo, os menires do Algarve, Estácio da Veiga, defendeu igualmente a função de “demarcação de um determinado território”, acrescentando, como alternativa, a possibilidade de que tivessem tido um propósito memorialista “representando um feito memorável ou uma consagração de piedosa lembrança” (Veiga, 1891, IV: 235).

Sobre os alinhamentos e recintos, o mesmo autor sugeriu, remetendo para as ideias correntes na Europa da época, que seriam “campos de reunião pública, em que se tratavam os assuntos mais graves e se procedia à eleição dos chefes (...) ou em que se praticavam solenidades religiosas” (Veiga, 1891, I: 89).

Uma outra versão da função memorialista dos menires fundamenta-se num texto clássico e, nesse aspecto, apresenta um interesse peculiar: “diz Aristóteles (...) que iberos ou hispanos elevavam em volta do túmulo tantos monólitos como os inimigos mortos pelo indivíduo nele sepultado. É importantíssima esta passagem por ser a mais antiga referência aos menhires e cromeleques (IV século A. C.) e por indicar o motivo de ereção de alguns, pelo menos. Os grandes alinhamentos comemorariam grandes batalhas.” Alves, 1934: 557-558

Por outro lado, a evidência proporcionada pelo menir de Luzim (Penafiel), um dos primeiros identificados em Portugal e localizado a poucos metros de uma mamoa, sugeriu, que “embora o significado exato dos menhires não esteja estabelecido com absoluta precisão, parece haver uma certa relação entre estes monumentos megalíticos e práticas rituais funerárias” (Aguiar e Júnior, 1940: 6).

Na verdade, nos casos em que se localizam nas imediações de sepulturas megalíticas, os menires foram geralmente interpretados, de uma forma mais ou menos axiomática, como marcos indicadores (Ferreira, 1864; Jorge, 1977; Silva e Silva, 1994; Almeida, 1979: 14; Bénéteau, 2000; Cassen et al., 2000); foi precisamente essa a proposta avançada para o menir centro-alentejano de Vale de Rodrigo, numa época em que, aparentemente, não se conheciam, na região, menires claramente independentes das antas (Leisner, 1944).

Porém, a maior parte das propostas posteriores aos anos sessenta do século vinte, em que se procurou já contextualizar os menires no universo ideológico das primeiras sociedades camponesas, fixou sobretudo o discurso no suposto carácter fálico dos monólitos, remetendo-os para rituais de fecundidade/fertilidade (Gonçalves, 1970; Zbyszewski et al, 1977). H.L. Pina constitui, neste aspecto, uma excepção notável: apesar de alinhar, em várias passagens, com a interpretação dominante, oscila, frequentemente, entre esta e o antropomorfismo que, por sua vez, lhe sugere “o culto de antepassados ou de divindades”. (Pina, 1971: 159)

Outros autores nacionais, na década de setenta, preferiram contornar a questão, limitando-se a apresentar listas e descrições (Vicente e Martins, 1979), enquanto C. A. Brochado de Almeida, para além dos rituais de fertilidade, avançou um leque de outras possibilidades nomeadamente: “locais de descanso para a alma dos mortos” ,“para-raios” ,“calendário solar” , interrogando-se ainda se “seriam ídolos aos quais se prestariam culto e sacrifícios (...)?” ou, recuperando a proposta de Estácio da Veiga, se “recordarão factos importantes, tratados, alianças, feitos de guerra?” (Almeida, 1979: 14).

Paralelamente, a influência da literatura arqueoastronómica inglesa, particularmente os trabalhos de Alexander Thom, G. Hawkins e Fred Hoyl, fez-se sentir, sem grandes consequências imediatas, a partir dos anos setenta; a equipa dos Serviços Geológicos de Portugal, por exemplo, apesar de não ter arriscado qualquer análise arqueoastronómica, sublinhou a necessidade de se “rever todos os monumentos megalíticos não funerários, começando por um levantamento topográfico suficientemente preciso, para permitir um estudo cuidadoso das suas características e da sua orientação.” (Zbyszewski et al, 1977: 68); efetivamente, nesse mesmo trabalho, os autores apresentaram, com um rigor aceitável, as plantas dos recintos megalíticos das Fontaínhas e do Vale d’El Rei (que designaram como Monte das Figueiras).

Poucos anos depois, Marciano da Silva apresentou, pela primeira vez, em 1980, um trabalho concreto com observações e propostas sobre as orientações astronómicas do recinto dos Almendres e do menir do Monte dos Almendres, trabalho que só viria a ser publicado vinte anos depois (Silva, 2000). Nesta análise, privilegiou-se a orientação solar dos monumentos, particularmente em função do equinócio e do solstício, embora sugerindo já a possibilidade das orientações lunares.

Em meados dos anos oitenta, Mário Varela Gomes tentou também aplicar ao recinto megalítico de Cuncos um modelo interpretativo de base arqueoastronómica (Gomes, 1986). O esquema proposto, nesse artigo, apresenta, porém, duas fortes limitações: por um lado, as supostas orientações, determinadas a partir das posições relativas dos menires na estrutura do monumento, são altamente discutíveis, uma vez que todos os monólitos se encontravam tombados e não foram claramente identificados os respectivos alvéolos; por outro lado, as linhas traçadas entre o recinto e outros monumentos (menir da Courela da Casa Nova e do Sideral) ou acidentes naturais (indicated foresights), nas proximidades do recinto, e às quais o autor atribuíu significados astronómicos, não podem ser consideradas pelo facto de o recinto ter sido, nesse trabalho, erroneamente cartografado.

Muito recentemente, foram publicadas novas observações de carácter arqueoastronómico, nas quais as orientações lunares ganharam um relevo especial (Silva e Calado, 2003; Silva e Calado, 2004; Alvim, 2004).

Trata-se de trabalhos em que as orientações astronómicas são encaradas como o resultado da valorização simbólica e ritual de certos eventos celestes que e serão comentados, com mais algum detalhe, no capítulo 8.

A obra de Mircea Eliade (Eliade, s.d.; 1974; 1978), historiador das religiões que viveu alguns anos em Portugal, inspirou algumas das leituras em uso sobre significados e funcionalidades simbólicas dos menires.

Nessa óptica, os menires

1- teriam funções de axis mundi, ligando o Céu, a Terra e o mundo subterrâneo;

2- teriam feito parte de rituais de fundação e consagração, transformando o Caos em Cosmos;

3- teriam feito parte de rituais hierogâmicos, enquanto elementos de carácter celeste, fecundando a terra;

4- representariam a “essência do universo” (imago mundi) (Gomes, 1979, 1997; Jorge, 1977; 1990).

A esta leitura estritamente religiosa, M.V. Gomes acrescentou entretanto uma dimensão ideológica e social: “os menires isolados ou estruturados são artefatos ideotécnicos conotados com a atividade religiosa (maioritariamente propiciatória destacando-se, por isso, o falimorfismo de grande número dos monólitos) cuja ideologia seria, afinal, o maior meio de coesão social” (Gomes, 1986: 15); esta vertente tinha, aliás, sido avançada, anos antes, por Brochado de Almeida, num artigo em que sublinhou a “importância” da “sua função sociológica”, defendendo que “só uma sociedade com o sentido da unidade e da coesão pode aspirar a concretizar projetos” dessa dimensão (Almeida, 1979: 15).

Mais tarde, M.V. Gomes introduziu, no seu discurso, a função territorial: “verdadeiros axis-mundi, capazes de organizar o espaço, em termos físicos e psicológicos, estruturando o território como “lugares centrais”, sendo conotados com a fecundidade em geral e ligados às observações e previsões astrais” (Gomes, 1994: 339). Noutro texto posterior, sobre o recinto dos Almendres, este foi visto como “ símbolo da autoridade político-religiosa, no seio de populações de economia agro-pastoril e semi-nómadas que habitaram aquela região” (Gomes, 1997: 32)

A vinculação dos menires às questões territoriais tem sido, talvez, uma das opiniões mais consensuais. V. Gonçalves, por exemplo, afirmou que “os menires marcam efectivamente territórios e a sua visibilidade e impacto simbólico são componentes indispensáveis do processo da sua construção” (Gonçalves, 1999: 58); o mesmo autor, num texto anterior, admitiu outras funcionalidades eventualmente sobrepostas: “culto da fecundidade”, “sinais de orientação na paisagem”, “santuários” e “lugares de observação astronómica” (Gonçalves, 1992).

O carácter antropomórfico dos menires tem sido particularmente defendido por Primitiva Bueno e Rodrigo Balbín no contexto dos estudos sobre a arte megalítica ibérica (Bueno-Ramírez, 1990; Balbín-Behrmann e Bueno-Ramírez, 1993; Bueno-Ramírez e Balbín-Behrmann, 1996); num trabalho sobre o menir do Monte da Ribeira, com V.S. Gonçalves, afirmou-se que “o tema principal é claramente antropomórfico. Pela sua própria forma, o menir constitui uma referência à imagem humana” (Gonçalves, Balbín-Behrmann e Bueno-Ramírez, 1997: 246), e que esta grafia básica “se entrelaça com as mudanças ideológicas e sociais propiciadas pelo estabelecimento dos modos de vida neolíticos” (Gonçalves, Balbín-Behrmann e Bueno-Ramírez, 1997: 247).

Noutro trabalho, apresentado na mesma reunião científica que o anterior, M. V. Gomes defendeu igualmente o antropomorfismo de alguns menires, aludindo em particular às chamadas estátuas-menires; sugeriu, para além disso, que “o falimorfismo de certos monólitos contém clara alusão antropomórfica, reproduzindo alguns naturalisticamente a glande, com recorte semelhante ao da cabeça humana” (Gomes, 1997: 256).

Também, na mesma ocasião, eu próprio escrevi que “o papel central dos motivos antropomórficos (que, nos menires, se configuraria, em geral, na própria forma do suporte) continua a aparecer-nos como uma das linhas de força da Arte Megalítica: o Homem torna-se a medida de todas as coisas.” (Calado, 1997: 296)

Parece-me, aliás, pertinente, recordar a observação de Giot, em defesa do carácter antropomórfico dos menires: “ a sua aparência no horizonte dá, à distância, a impressão de figuras humanas. A ilusão antropomórfica é confirmada por numerosas lendas populares sobre soldados petrificados, dançarinos ou festas de casamento”, não deixando de admitir que os “rituais de fertilidade sugerem outras semelhanças óbvias” (Giot, 1988: 320, 321)

Nos últimos anos, refletindo o impacto dos trabalhos de Ian Hodder, Christopher Tiley, Julian Thomas, Richard Bradley, entre outros, (Hodder, 1990; Tiley, 1996; Thomas, 1991; Bradley, 1993) os menires começaram a ser interpretados, no contexto de uma nova leitura sobre o Neolítico, como formas de domesticação do espaço (Jorge, 1999; Gomes, 2002), conceito que, até certo ponto, se pode aproximar da noção eliadiana de cosmização do caos; nesta perspectiva, os menires fariam parte de um fenómeno mais amplo de emergência da monumentalidade que, em momentos e lugares diversos, marcaria a mentalidade neolítica e, talvez sobretudo, de comunidades em vias de neolitização.

4.1.3. A cronologia

Até aos anos setenta do século passado, a posição cronológica dos menires foi, por absoluta falta de dados, negligenciada; dessa situação resultou m modelo vago, em que menires e antas eram considerados como facetas do mesmo fenómeno cultural, sem que tenha havido sequer qualquer tentativa de atribuição dos menires a uma das duas grandes fases que, já desde os trabalhos de Manuel Heleno, se desenhavam para os monumentos funerários.

Estácio da Veiga, por exemplo, manifestou dúvidas sobre a cronologia dos menires de Silves e S. Bartolomeu de Messines “cujo lavor ornamental parece excluí-los do período neolítico” (Veiga, 1891, I, 89).

Curiosamente, foi com base numa análise comparativa superficial dos motivos iconográficos patentes num menir do recinto dos Almendres (menir 57), que Leonor Pina arriscou, pela primeira vez, um enquadramento cronológico (deixando no ar a hipótese de as gravuras serem posteriores à construção do monumento), por volta dos inícios do III milénio a. C. (Pina, 1971: 154-155).

O carácter tardio dos menires, dentro da sequência megalítica, foi retomado, alguns anos depois, por outros autores (Gomes, Monteiro e Serrão, 1978), com base sobretudo no pressuposto de que o menir de Vale de Rodrigo 1 (nº 46) seria contemporâneo do dólmen de falsa cúpula, em cuja mamoa se insere, e de que essa suposta contemporaneidade seria aplicável à generalidade dos menires.

A sugestão inicial foi entretanto consolidada e desenvolvida num modelo de cariz normativo, em que a construção dos menires era considerada obra das populações do Neolítico final, as mesmas que construíram os grandes dolmens de corredor; os menires ou, pelo menos alguns, teriam sido destruídos ou reformulados pela chegada de populações calcolíticas, de origem exterior à região (Monteiro e Gomes, 1978; 1994; 2002; Gomes, Gomes e Santos, 1993).

Essa cronologia, apesar de assentar em evidências extremamente discutíveis e ignorar outras que a contrariavam (Almeida e Ferreira, 1971), não foi, curiosamente, objecto de qualquer reserva por parte da comunidade científica, uma vez que parecia inserir-se, sem contradições, nas leituras de base marxista, muito em voga nos anos setenta e oitenta, e conjugar-se com as datas atribuídas aos monumentos, aparentemente similares, de outras áreas europeias.

Na verdade, os autores da proposta, numa primeira fase, tiveram o cuidado de sublinhar as incertezas ainda subsistentes, como se pode apreciar no seguinte excerto: “No Alentejo, (...) pode-se concluir, com a prudência aconselhada pela escassez e insuficiência dos dados, que os menires se associam ao complexo cultural megalítico numa fase evolucionada deste, constituindo uma das suas expressões culturais durante o Neolítico Final e o Calcolítico Inicial.” (Monteiro e Gomes, 1979: 365, 366)

Passados alguns anos, porém, aquilo que a princípio era uma mera hipótese de trabalho, tornou-se uma verdade indiscutível: “o Cromeleque de Cuncos constitui um raro testemunho, da ideologia, da superstrutura religiosa e da capacidade técnica das comunidades agro-pastoris, seminómadas, que, no Neolítico final – Calcolítico inicial, em torno aos finais do IV milénio, e na primeira metade do III milénio A.C. (...), frequentaram aquele local do Alto Alentejo.” (Gomes, 1986)

No mesmo sentido, a propósito dos menires e “cromeleques”, escrevia-se que “a coletividade, durante a primeira metade do III milénio a.C., ainda investia prioritariamente o seu esforço na construção de  grandes monumentos funerários ou religiosos, que eram um precioso elemento aglutinador do tecido social” (Jorge, 1990: 122).

Em 1990, surgiu a primeira brecha nesta leitura cronológica, assente numa releitura crítica dos dados disponíveis e despoletada pela descoberta de dois povoados do Neolítico antigo/médio, nas imediações do recinto dos Almendres (Gomes, 1989: 264; Calado, 1990); a par dos dados que, por essa altura, começavam a subverter as sequências cronológicas bretãs, foi recuperada a interpretação, avançada pelos escavadores da Anta da Granja de S. Pedro (Almeida e Ferreira, 1971), para quem o monumento funerário teria sido construído sobre dois menires pré-existentes.

De uma forma ainda esboçada e cautelosa, propunha-se, basicamente, que “os menires poderiam representar os primeiros momentos da ocupação da região pelas gentes megalíticas” e sugeria-se já que a Neolitização do Alentejo teria sido “ um movimento de desbravamento de florestas, partindo do litoral para o interior” (Calado, 1990: 24), sem que, no entanto, se tivesse procurado especificar esses presumidos focos de origem.

Em 1993, escrevia que “os menires corresponderiam a uma fase de penetração num território virgem, onde havia que estabelecer bases, abrir caminhos, prospectar recursos” (Calado, 1993b: 299).

A identificação dos eventuais responsáveis pela neolitização do Alentejo interior foi, pouco depois assumida, num texto de 1995, entretanto publicado, nos seguintes termos: “O abandono dos concheiros e o eventual colapso do modelo económico em que estes floresceram, poderiam estar na origem da instalação das respectivas populações no interior alentejano, no limiar dos territórios tradicionalmente explorados com um modelo económico de largo espectro” (Calado, 2001a: 127).

Este reposicionamento cronológico foi um dos alicerces do modelo interpretativo sobre o qual assenta o presente estudo; nos últimos anos, o trabalho de campo desenvolvido no Alentejo Central (escavações e prospecções), trouxe novos elementos que, contrastados com evidências de outras áreas megalíticas, serão mais à frente apresentados e discutidos em detalhe.

Convém, finalmente, acrescentar que M.V. Gomes reformulou, nos últimos anos (Gomes, 1994; 1996; 2000b; 2002) a sua proposta cronológica, mantendo uma sequência de base evolucionista, em que os menires de pequenas dimensões, como os do Xarez (nº6) (Reguengos de Monsaraz) e do Vale d’El Rei (nº15) (Pavia), seriam mais antigos que os menires grandes, e em que é sugerido algum paralelismo cronológico e conceptual entre os primeiros e as sepulturas submegalíticas e, por outro lado, entre os segundos e as antas.

A perspectiva cronológica adoptada tem, evidentemente, consequências interpretativas e o autor, referindo-se aos menires que considera mais antigos, afirma que “integram o mesmo contexto outras construções protomegalíticas, mas com função funerária ou seja, utilizando elementos pétreos de pequenas dimensões e, portanto, demarcando o espaço, ou construindo o território, se preferirmos, embora não se reconheça evidente necessidade de monumentalizar a paisagem, conforme acontecerá em tempos ulteriores.” (Gomes, 2002: 157).

Estas questões serão discutidas, no capítulo 9, em conjugação com a apresentação dos dados de natureza cronológica direta ou indireta, atualmente disponíveis.

4.2. O contexto arqueológico: sepulturas, povoados e arte rupestre

No Alentejo Central, como nas outras áreas megalíticas do território nacional, as antas começaram a ser inventariadas na sequência da criação da Real Academia de História setecentista (Pina, 1733).

Este impulso inicial teve um desenvolvimento importante, na segunda metade do século dezanove, tendo, nessa altura, sido dada a conhecer uma série de novos monumentos (Pereira, 1875; 1880; Simões, 1878; Silva, 1878; Nogueira, 1887; Espanca, 1894; Vasconcellos, 1894, 1898; Cartaillac, 1878, 1886), muitos dos quais entretanto danificados ou destruídos.

Já no século vinte, Vergílio Correia levou a cabo o primeiro projeto sistemático, em Portugal, de estudo do megalitismo funerário, num quadro regional (Correia, 1921).

Quanto ao trabalho de Manuel Heleno (Machado, 1964), cujo mérito tem sido justamente posto em causa por ter permanecido praticamente todo inédito, só em breve, com a análise e consequente publicação dos cadernos de campo, poderemos efetivamente começar a avaliar o respectivo alcance.

Foram, finalmente, os incansáveis arqueólogos alemães Georg e Vera Leisner quem reuniu, ampliou e publicou, de forma exemplar, a base de dados de referência para o conhecimento do megalitismo dolménico centro-alentejano (Leisner, 1944; Leisner, 1948, 1949; Leisner e Leisner, 1956, 1959).

Posteriormente, houve significativas ampliações da informação coligida pelos investigadores alemães, como resultado das novas metodologias de prospecção arqueológica, menos dependentes da informação oral; destacam-se os resultados obtidos nas áreas de Pavia (Rocha, 1999) e Redondo (Calado e Mataloto, 2001), em que o número de antas inéditas foi da ordem dos 30 %, e ainda Alandroal (Calado, 1993), Portel (Lima, 1992) Arraiolos (Silva e Perdigão, 1998), Montemor-o-Novo (Oliveira, 2001; Calado, 2003b), Évora (Burgess, 1987).

Para além das prospecções, os anos noventa trouxeram, sobretudo no concelho de Reguengos de Monsaraz, importantes avanços que resultaram da escavação, com métodos modernos, de um conjunto de monumentos megalíticos, de diversas tipologias (Gonçalves, 1992, 1995, 1999, 2002; 2003; Gonçalves e Sousa, 1997, 1999; Gomes, 1997; Correia, 2002).

Quanto aos povoados neolíticos e calcolíticos, para além de só terem começado a ser reconhecidos muito tardiamente, apenas numa mão cheia de casos foram objecto de sondagens ou escavações.

O primeiro a ser publicado foi, provavelmente, o Castelo Velho (nº 1398), no concelho de Alandroal, onde J.L. Vasconcellos reconheceu apenas a ocupação pré-romana, relacionando-o com o santuário de Endovélico, embora o sítio tivesse sido também ocupado no Bronze final, em época islâmica e calcolítica (Vasconcelos, 1895; Calado, 1993a).

Na verdade, coube a Vergílio Correia a identificação, em Pavia, dos primeiros povoados pré-históricos da região. O Castelo de Pavia (nº148) e o povoado de Brissos (nº285, 286) foram, tanto quanto sei, os primeiros a ser reconhecidos como tal (Correia, 1921).

Décadas mais tarde, foi a vez do Castelo do Giraldo (nº1600) , nos arredores de Évora (Paço e Ventura, 1961), povoado que foi também objeto de trabalhos de escavação, tendo apresentado vestígios de ocupação calcolítica, mas também de épocas posteriores; os materiais exumados, deficientemente publicados, tal como os contextos de recolha, encontram-se depositados no Museu de Évora.

Em 1963, a descoberta acidental da gruta do Escoural (nº 57), cuja ocupação paleolítica ofuscou a importância dos vestígios neolíticos e calcolíticos (respectivamente, no interior e no exterior da gruta) veio colocar, no mapa da pré-história regional, mais um povoado calcolítico e, sobretudo, aquele que foi, durante mais um quarto de século, o único sítio do Neolítico antigo interior (Santos, 1964, 1971, 1985; Gomes, Gomes e Santos, 1983).

A natureza da ocupação neolítica da gruta do Escoural, sobretudo das fases mais antigas, a que correspondem nomeadamente as cerâmicas cardiais e impressas, permanece mal esclarecida. A revisão crítica dos dados antigos e a realização de novos trabalhos (Araújo e Lejeune, 1995) permitiram apenas atestar, com relativa segurança, o uso funerário, no Neolítico final.

Em 1970, foram dados a conhecer, acompanhados da publicação de alguns materiais de superfície, dois outros povoados calcolíticos, Velhacos (nº1772 ) e Santa Susana (nº1770), ambos no concelho de Redondo (Ventura, 1970; Calado e Mataloto, 2001) e, no ano seguinte, os povoados de Famão (nº460) e Aboboreira (nº455), em Vila Viçosa (Arnaud, 1971).

Em meados dos anos oitenta, C.T. Silva e J. Soares, no âmbito das primeiras prospecções sistemáticas na área do Regolfo do Alqueva, descobriram e, num caso ou outro, sondaram, alguns povoados pré-históricos nos concelhos de Alandroal, Reguengos de Monsaraz e Portel, sendo de destacar a identificação dos primeiros povoados abertos do Neolítico antigo centro-alentejano (Soares e Silva, 1992). Pouco depois eram igualmente identificados, em Évora, dois povoados dessa época, espacialmente conectados com o recinto dos Almendres e com o menir do Monte dos Almendres (Gomes, 1989: 264).

A partir dos finais da década de oitenta, no início daquilo a que V. S.Gonçalves definiu, para a área de Reguengos de Monsaraz, como a fase “das novas perspectivas de pesquisa” (Gonçalves, 1999: 149), foi descoberto, escavado e publicado um conjunto de novos sítios do Neolítico final e Calcolítico, nomeadamente o Monte Novo dos Albardeiros (nº2252), a Torre do Esporão 3 (nº2410) e o Marco dos Albardeiros (nº2348) (Gonçalves, 1988-89, 1989, 1990-91), e identificados novos locais de habitat, como resultado de uma campanha de prospecções centrada na Herdade do Esporão (Gonçalves et al., 1992).

Foi também nos finais dos anos oitenta e inícios dos noventa que, em Évora e Montemor-o-Novo, foi levado a cabo um programas de prospecções arqueológicas, direccionado para o estudo da área envolvente do recinto dos Almendres (Burgess, 1987), de que resultaram alguns novos povoados pré-históricos.

Finalmente, a partir dos anos noventa, o número de povoados neolíticos e calcolíticos, conhecidos no Alentejo Central, disparou para valores antes insuspeitáveis; esses dados foram publicados, na sua maioria, nos inventários já referidos (Lima, 1992; Calado, 1993a, 1995; Silva e Perdigão, 1998; Silva, 1999; Calado e Mataloto, 2001) ou integram a base de dados apresentada no segundo volume deste trabalho.

O conhecimento sobre o povoamento neolítico e calcolítico do Alentejo Central foi, nestes últimos anos, incrementado por escavações em sítios de diversas épocas e tipos; destacam-se os casos da Valada do Mato (nº1119), em Évora, (Diniz e Calado, 1997; Diniz, 2000; Diniz, 2003b) e do Xarez 12 (nº2139), em Reguengos de Monsaraz, (Gonçalves, 1999, 2002a), com ocupação do Neolítico antigo, no primeiro caso, e Neolítico antigo e final, no segundo. No contexto de intervenções de salvamento (Alqueva e A6) foram ainda feitas curtas campanhas de escavação em outros sítios do Neolítico antigo/médio, nomeadamente Patalim (nº 66), em Évora (Diniz 2003c) , Xarez de Cima 4 (nº 2166), Fonte dos Sapateiros (nº2105) e Carraça 1 e 2 (nº2276), em Reguengos de Monsaraz (Gonçalves, 2002a).

Com datas da segunda metade do IV milénio a. C., destacam-se também as escavações no povoado com fossos de Juromenha 1 (nº878), no Alandroal; neste mesmo concelho, foram ainda escavados os povoados das Águas Frias (nº1467) e Malhada das Mimosas 1 (nº884), ambos com ocupações do Neolítico final e Calcolítico inicial (Calado, 2002b).

Um quarto povoado com fossos, o dos Perdigões (nº 13), com uma ocupação que parece arrancar no Neolítico final e se prolonga por todo o III milénio a. C., foi escavado nos arredores de Reguengos de Monsaraz (Lago et al., 1998), tendo, antes disso, sido objecto de uma breve sondagem inédita, ainda nos finais dos anos oitenta (Gomes, 1989: 259). Trata-se do mais extenso povoado pré-histórico conhecido na região, com cerca de 15 ha de área cercada por duas linhas de fossos, eventualmente reforçados por muralhas de pedra e com uma necrópole adjacente.

Finalmente, foram também escavados ou sondados alguns povoados calcolíticos, nomeadamente, no concelho do Alandroal, o povoado de Miguens 3 (nº2114) (Calado, 2002), com cabanas de pedra circulares e ocupação da segunda metade do III milénio a. C, com cerâmica campaniforme de tipo internacional, e o povoado de S. Gens (nº1453), com abundantes vestígios de metalurgia do cobre e cerâmica campaniforme internacional e incisa; no concelho de Évora foram efectuadas sondagens no povoado calcolítico do Monte da Ponte (nº1856) (Kalb e Höck, 1997), com muralhas de pedra, cuja cronologia ainda se encontra por esclarecer, mas que se integra provavelmente no Calcolítico pleno.

Outro tema, globalmente relacionável com os menires, que conheceu recentes desenvolvimentos notáveis, foi o da arte rupestre. De facto, até 2001, eram praticamente desconhecidos, no Alentejo Central, vestígios de arte rupestre holocénica, com a excepção das covinhas, que ocorrem em afloramentos e blocos soltos de diversas origens geológicas ou em monumentos megalíticos, de todos os tipos.

Para além das covinhas, conheciam-se, desde o princípio do século, dois rochedos graníticos com cruciformes, no concelho de Arraiolos - a Pedra das Taliscas (nº377) e a Pedra das Gamelas(nº376) - (Correia, 1921) e um outro foi dado a conhecer, há cerca de 25 anos, no concelho de Mora - o Penedo das Almoinhas (nº378) - o qual inclui igualmente motivos antropomórficos (Zbyszewski et al., 1978).

No topo do cabeço que encerra a gruta do Escoural, tinham sido também observados, em 1963, alguns painéis com covinhas, mas só quase duas décadas depois se identificaram outros temas mais complexos, nomeadamente bucrâneos e um possível arado (Santos, Gomes e Monteiro, 1981: 212, 213).

Mais recentemente, foram descobertos alguns casos isolados de cruciformes, associados ou não a covinhas, nos concelhos de Arraiolos e Redondo, (Calado, 1995; Calado e Mataloto, 2001) e, ainda inédito,um afloramento com motivos circulares, num afloramento de granito, nos arredores de Évora (Porro, nº 93).

Constrastando com esta imagem extremamente modesta, descobriu-se, em 2001, um importante complexo de arte rupestre, na área da barragem do Alqueva, com a maior parte das gravuras identificadas integráveis em cronologias epipaleolíticas, neolíticas e calcolíticas, localizadas sobretudo em rochas do leito do próprio Guadiana e dispersas ao longo de cerca de 60 Km do curso deste rio (Calado, 2001b; 2004; Baptista, 2002; Collado, 2004).

É certo que já desde os anos setenta se conheciam gravuras no vale do Guadiana, na área do Pulo do Lobo, em Mértola (Baptista e Martins, 1978), aparentadas estilisticamente, tal como a maioria das que foram localizadas no Alqueva, com as descobertas, no início dos anos setenta, no vale do Tejo; numa perspectiva de conjunto, tudo indica que as gravuras do Guadiana baixo alentejano (Mértola e Serpa) são uma irradiação a partir do polo localizado no Molino Manzanès/Casa da Moinhola.

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Abstract

     Este trabalho corresponde ao Volume 1 de uma Tese de Doutoramento, defendida na FLUL, em 2005 e aprovada por unanimidade. O júri, como ...