O júri, como era costume nessa época (pré-Bolonha), integrou 8 elementos, dos quais 6 arqueólogos (pré-historiadores), nomeadamente João Senna Martinez, Primitiva Bueno-Ramirez, Carlos Tavares da Silva, Victor S. Gonçalves, João Zilhão e Mariana Diniz.
RESUMO
Palavras-chave:
Menires; Megalitismo; Neolitização
Com base no estudo dos menires alentejanos, aqui analisados, sobretudo, numa perspectiva simbólica e espacial, e tendo em conta os dados disponíveis, de natureza cronológica, são reavaliados os modelos mais correntes sobre o processo de neolitização no Alentejo Central.
A deficiente contextualização arqueológica dos monumentos megalíticos, sobretudo em termos de vestígios de habitat, quase sempre muito discretos e exigindo metodologias específicas, foi ultrapassada por um extenso programa de prospecções arqueológicas, cujos resultados permitiram, por um lado, um conhecimento aprofundado da paisagem regional e, por outro, estabelecer relações, de ordem espacial, que são uma das base essenciais deste trabalho. A associação reiterada entre os menires e o povoamento do Neolítico antigo/médio e entre este e a presença de grandes afloramentos graníticos foram, neste aspecto, duas das observações mais fecundas.
A própria avaliação comparativa dos menires da região, no seu conjunto, permitiu definir áreas relativamente coesas, tipificar monumentos e observar presenças e ausências entre elas.
O enquadramento genérico dos menires do Alentejo Central nas realidades peninsulares e de outras áreas da Europa atlântica, que teve como principal objetivo o estabelecimento de semelhanças e diferenças, permitiu identificar, em relação à Bretanha, fortes evidências de contatos culturais, omissos, de um modo geral, na comparação com as outras áreas.
As relações entre os menires e a paisagem revelaram-se, apesar do carácter truncado dos monumentos, particularmente coerentes. Os festos (e os rios), os relevos destacados no horizonte, as formas locais do terreno, os limites geológicos e os principais eventos astronómicos foram, certamente, integrados nasestratégias de implantação de grande parte dos menires regionais.
A constatação de que alguns recintos megalíticos apresentam plantas em forma de ferradura, para além de sugerir paralelos com a Bretanha, remete para o universo simbólico dos concheiros do Tejo/Sado e alargam o leque das analogias entre estes e os primeiros neolíticos do Alentejo Central.
Em conclusão, os menires alentejanos permitem encarar a neolitização da região como obra dos últimos caçadores-recolectores complexos dos estuários limítrofes, no contexto da adopção do modo de vida neolítico. O carácter circunscrito dos menires alentejanos e, em particular, dos recintos, seria umaconsequência da própria especificidade daquelas comunidades mesolíticas, no contexto peninsular.

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