Capítulo 10: Os menires da Península Ibérica

 10.1. Introdução

Apenas com base na distribuição espacial dos dados actualmente disponíveis, é possível integrar os menires ibéricos em cinco grandes regiões, com características mais ou menos coerentes, embora, naturalmente, passíveis de subdivisões internas, por critérios geográficos, tipológicos e/ou cronológicos: o Algarve (sobretudo o Algarve Ocidental), o Alentejo (com uma concentração muito particular no Alentejo Central), o Noroeste Peninsular (Centro e Norte de Portugal e Galiza), a Cornija Cantábrica e os Pirinéus Ocidentais (Astúrias, Cantábria, Palencia, Burgos e País Basco) e a Catalunha.

Para além de não ser exaustiva, a cartografia apresentada não tem em conta, entre outros aspectos, as dimensões dos diversos tipos de monumentos meníricos; na verdade, se, por exemplo, na Catalunha, cada ponto do mapa corresponde a um menir isolado, no Alentejo Central, o recinto dos Almendres, cartografado como um único ponto, integra quase uma centena de menires.

É verdade que a informação disponível é muito desigual, para as diferentes áreas; faltam, em geral, datações radiocarbónicas que, mesmo sendo discutíveis, sê-lo-ão muito menos à medida que as séries se avolumem; faltam ainda, embora vão surgindo aqui e ali, materiais associados provenientes de escavações rigorosas; faltam estudos espaciais, contextos arqueológicos; faltam mesmo, em alguns casos, dados descritivos básicos, como são as formas, as dimensões, as matérias-primas; estas lacunas limitam, à partida, as possibilidades de comparação entre as diferentes regiões.

A base de dados reunida permite, contudo, concluir, desde já, que, por muito que progrida a descoberta de novos monumentos, alterando uma imagem global certamente parcelar, é no Sul de Portugal (Alentejo Central e Algarve Ocidental) que existem as maiores concentrações de menires da Península Ibérica, considerando aspectos como as dimensões e a quantidade dos menires, ou as dimensões e a complexidade dos monumentos compósitos.


                                                Fig. 10.1 - Distribuição dos menires na Península Ibérica.

Fig. 10.2 - Menires e recintos da Península Ibérica

10.2. Algarve

Os menires do Algarve constituem um conjunto fortemente individualizado, no contexto da Europa atlântica: destacam-se, sobretudo, no que diz respeito à morfologia, à decoração e aos contextos arqueológicos com que a maioria se relaciona espacialmente.

Fig. 10.3 - Menir do conjunto dos Amantes

Fig. 10.4 - Menir 1 do Padrão

Mesmo assim e apesar de terem, desde cedo, contado com algum destaque na bibliografia arqueológica nacional, não foi, até hoje, publicada um corpus suficientemente informado sobre os menires algarvios, no seu conjunto. Em termos geográficos, estes menires apresentam uma notável concentração no extremo ocidental do Algarve (nos concelhos de Vila do Bispo, Lagos, Portimão, Lagoa e Silves) e uma rarefacção progressiva, para oriente. Os menires referenciados perfazem um total de 259, distribuídos por cerca de 80 sítios; destes, efetivamente, apenas o conjunto do Lavajo (Cardoso, 2003), se localiza no Algarve oriental, já no concelho de Alcoutim.

Os menires do Lavajo, para além do desgarramento geográfico em relação ao grosso dos menires algarvios, diferenciam-se deles também em termos de matéria-prima e decoração.

Trata-se de um menir mais ou menos intacto e dois outros possíveis menires amputados (Lavajo I) e de um possível conjunto de estelas (Lavajo II) que foram objeto de escavações recentes.

A matéria-prima, certamente relacionada com o substrato geológico da área, foi uma rocha metamórfica (o grauvaque) aspecto muito raro no panorama dos menires do Sul de Portugal; no entanto, com alguma frequência, observam-se blocos de grauvaque relativamente compactos e de perfis arredondados, adequados “a priori” para serem transformados em menires.

A decoração, muito distinta daquela que caracteriza habitualmente os menires algarvios, apresenta, mesmo assim, alguns elementos desse universo gráfico, nomeadamente uma clara organização longitudinal do campo iconográfico e a presença de um símbolo, interpretado como representação vulvar, constituído por “uma elipse interiormente septada ao longo do eixo maior”  (Cardoso, 2003: 64). Na verdade, e como seria, até certo ponto, de esperar, é possível identificar  na decoração dos menires do Lavajo I, algumas reminiscências da temática e da organização gráfica de alguns menires decorados alentejanos, nomeadamente os círculos (com ou sem covinha no interior) ou as “ferraduras”.

No sítio de Lavajo II, os escavadores concluíram tratar-se de um alinhamento de quatro estelas-menires, anicónicas, atualmente muito afetadas e em relação ao qual, atendendo à ausência reconhecida de paralelos (Cardoso, 2003: 65), é preferível manter, por ora, algumas reservas.

Fig. 10.5 - Menir do Lavajo I (seg. Cardoso, 2002: 230).

Fig. 10.6 - Menir com serpentiforme, da Caramujeira (seg. Cardoso, 2002: 228).

A matéria-prima (com apenas duas excepções - menos de 1%) é constituída por rochas sedimentares provenientes do substrato geológico regional: em primeiro lugar, o calcário, seguido pelo arenito, sendo que, muitas vezes, existe discordância entre a matéria-prima e o substrato local, implicando, como sucede noutras áreas, algum esforço de transporte e uma intencionalidade na escolha do local de implantação que transcende obviamente esse tipo de condicionantes técnicas.

Os menires algarvios correspondem geralmente a formas arredondadas, nomeadamente ovóides, ou

subcilíndricas, muitas vezes com a extremidade distal demarcada, embora existam igualmente os menires de formas menos regulares e até mesmo angulosas. A maioria dos monólitos parece ter sido objeto de afeiçoamento, operação relativamente facilitada pela escassa dureza dos materiais utilizados e certamente muito menos frequente nas restantes áreas peninsulares.

A decoração, pouco variada, mas muito frequente, afeta, segundo Mário Varela Gomes (Gomes, 1997: 161), mais de 50% dos menires; em geral, repete esquemas gráficos/simbólicos geométricos em que os menos originais são certamente os conjuntos de linhas paralelas ondulantes, longitudinais, com diversas ressonâncias na arte megalítica atlântica (Bueno e Balbín, 1995). Dominam, de resto, os motivos geométricos, eventualmente simbólicos, organizados quase sempre ao longo de linhas longitudinais e, à primeira vista, sem paralelos imediatos nos restantes sistemas iconográficos do megalitismo europeu.

Nos últimos anos, foram apresentados alguns dados novos e, concomitantemente, um modelo interpretativo (David Calado, 2000a;2000b; Calado et al., 2003; 2004), em que os símbolos gravados nos menires algarvios são interpretados, na sua maioria, como símbolos sexuais que representariam uma estrutura social emergente, de carácter linhagístico que, sendo coerente com os dados algarvios, dificilmente se poderia aplicar às outras áreas em que ocorrem menires decorados.

Muitos dos menires isolados e, sobretudo, dos conjuntos de menires, ocorrem associados a vestígios de habitat neolíticos - e, muitas vezes, mais antigos (Gomes, 1996; Bicho et al., 2000) - aspecto que, como referi, constitui um dos traços mais originais dos menires algarvios (David Calado, 2000a, b; David Calado et al., 2003). É verdade que a natureza dessa associação e as próprias cronologias envolvidas constituem, ainda, um problema em aberto. Na verdade, a segregação repetidamente observada, noutras regiões megalíticas europeias, entre menires e sítios de habitat, sugere uma certa diacronia entre uns e outros, em que, teoricamente, os menires deveriam ser anteriores.

Por outro lado, contrariando uma ideia feita muito generalizada e, aparentemente, válida em algumas áreas megalíticas peninsulares (Ruiz et al., 1993; Serna Gonzalez, 1997; Tarrùs, 2000), os menires do Algarve ocidental ocupam territórios virtualmente vazios de megalitismo funerário. Esse aspecto tem sido igualmente aparente na distribuição das principais manchas de menires do Alentejo Central (Calado, 2000a; 2002).

Fig. 10.7 - Menir da Pedra Escorregadia.

Fig. 10.8 - Menir depositado no Museu

de Silves.

Fig. 10.9 - Proposta de reconstituição da planta do possível recinto do Monte dos Amantes (seg. Gomes, 1996: 165).


A questão da relação funcional e cronológica entre os menires e os materiais que, por norma, lhes estão espacial, ou mesmo estratigraficamente, associados deve, por enquanto, permanecer em aberto, uma vez que os poucos dados disponíveis são, até certo ponto, discordantes.

A maioria dos menires conhecidos no Algarve, tal como acontece, aliás, um pouco por todo o lado, encontra-se tombada (apenas cinco foram descobertos eretos) (Gomes, 1997: 157); para além disso, os conjuntos identificados, que se presume poderem corresponder, na maior parte dos casos, a recintos desmantelados, apresentam um tal grau de desarticulação que, até hoje, mesmo nos sítios que foram objeto de escavações, não foi possível reconstituir minimamente as respectivas plantas originais (Fig. 10.19).

Na verdade, não foram, até hoje desenhados projetos de escavação que permitam recuperar a informação, que potencialmente existe (Gomes, 1996; Calado et al., 2004), sobre as plantas dos monumentos compósitos algarvios.

Em termos paisagísticos, os menires evidenciam uma preferência pelos terrenos mais ou menos aplanados, com cobertura arenosa, localizados não longe da linha de costa, tal como os grandes menires-estelas do Morbihan; em contrapartida, na serra algarvia, estão totalmente ausentes.

Recorde-se que, há uns anos, foram obtidas duas datações radiocarbónicas de uma lareira, junto ao menir do Pedrão (Vila do Bispo), com valores calibrados do terceiro quartel do VI milénio a. C.. O escavador refere que “a camada arqueológica a que correspondia a ocupação datada pelo 14C cobria as fossas de implantação dos dois menires” (Gomes, 1994b: 331), o que evidentemente implicaria alguma anterioridade do monumento em relação às datas obtidas.

Esta prioridade dos menires em relação aos povoados com cerâmicas impressas foi, aparentemente, confirmada, mais recentemente, por novas datas para um dos menires da Quinta da Queimada, cuja inesperada antiguidade, no entanto, se revela, no mínimo, surpreendente e de problemática interpretação.

O método de datação utilizado (OSL-Optical Stimulated Luminescence), tido, pelos autores da escavação, como fiável, incidiu sobre os cristais de quartzo capturados no alvéolo do monólito e deu, como limite mais recente uma data do último quartel do VII milénio a.C. (D. Calado et al., 2004). A aceitação, sem reservas, destas datas tão recuadas, implica uma revisão profunda dos modelos correntes sobre o aparecimento da monumentalidade megalítica europeia. Recusá-las liminarmente, seria, a meu ver, igualmente temerário, tendo em conta as enormes limitações da informação disponível.

Por outro lado, a aceitação da antiguidade relativa destas datas, tal como se deduzia já das observações a propósito do menir do Padrão, excluiria de vez uma verdadeira contemporaneidade entre povoados neolíticos e menires: os povoados seriam posteriores aos menires e corresponderiam mesmo a uma alteração profunda, em relação ao modo como os monumentos teriam originalmente sido concebidos.

Não se conhecem, no Algarve, pelo menos por enquanto, menires da Idade do Ferro. A continuidade do fenómeno para além do Neolítico restringe-se à reutilização de menires numa sepultura submegalítica e num tholos (Gomes, 1994c, 1996), e de um menir como estela funerária, da Idade do Bronze (Gomes, 1994a).

10.3. Noroeste Peninsular

Centro/Norte de Portugal e Galiza

O Centro e Norte de Portugal, assim como a Galiza, apresentam uma baixa densidade de menires, sendo a amostra disponível praticamente só constituída por menires isolados. Na verdade, os únicos casos de recintos megalíticos conhecidos, nesta área, correspondem a realidades muito atípicas, mal conhecidas e de cronologia e funcionalidades indeterminadas.

Refiro-me aos “circos líticos” galegos (Maciñeira, 1929; Ramil, 1997), de A Mourela (As Pontes); Prao das Chantas (O Valadouro) e O Freixo (As Pontes), em relação aos quais, as descrições disponíveis não permitem considerá-los como verdadeiros monumentos megalíticos nem, provavelmente, como monumentos minimamente aparentados.

Mais a Sul, os dois recintos de S. Cristóvão (Resende), atendendo aos resultados até à data publicados, podem efetivamente corresponder a necrópoles da Idade do Ferro, com base em algumas analogias com o monumento do Monte da Tera (Silva, 2003); seja como for, a morfologia dos blocos e a disposição dos conjuntos não se integra, com facilidade, em nenhuma das categorias de monumentos meníricos conhecidos, pelo que se aguardam novos dados sobre a matéria.

Já na bacia do Tejo, o “monumento” do Couto da Espanhola foi publicado inicialmente como um recinto megalítico, com muitas reservas (Henriques et al., 1993); no entanto, uma síntese recente, da autoria de um dos subscritores dessa primeira notícia e de outras referências posteriores, omite-o (Cardoso, 2002). Efetivamente, as dimensões e características deste recinto evocam uma série de estruturas de carácter agropastoril, de época indeterminada, eventualmente histórica, de que se conhecem diversos modelos, no Alentejo Central (Burgess, 1987; Calado e Mataloto, 2001).

Falta também confirmar o carácter megalítico do recinto da Fonte Fundeira, constituído por alguns monólitos estruturados em torno de um afloramento rochoso (Henriques,1974). Tal como nos recintos durienses, trata-se de uma questões em aberto, em relação à qual importa manter alguma prudência.

Outro caso muito duvidoso é o do suposto recinto da Barreira (Sintra, Portugal), (Vicente e Andrade, 1973), onde uma observação atenta da geologia local e da área envolvente, aconselha a reconsiderar os “menires” como simples afloramentos naturais, embora, na verdade, extremamente sugestivos; a mesma leitura é igualmente válida, aliás, para os “menires” da Fonte de Anços e, aparentemente, também para o alinhamento de Caneças (Pereira, 2004).

A estela-menir da Caparrosa é, nesta área, um dos casos mais intrigantes, atendendo aos motivos  gravados que dificilmente se inserem nas outras iconografias conhecidas. Por outro lado, a possibilidade de o menir fazer parte de um alinhamento, não parece muito sustentável: os pequenos blocos que se alinham junto ao monólito podem corresponder aos restos de um muro adossado a ele (Gomes e Monteiro, 1974-1977).

Quanto aos menires isolados, geralmente menos duvidosos, têm sempre como suporte os granitos ou rochas granitóides e, com frequência, relacionam-se espacialmente com monumentos megalíticos funerários. 

Fig. 10.10 - Menires naturais da Barreira (Odrinhas, Sintra).

Fig. 10.11 - Menir natural da Barreira (Odrinhas, Sintra).

Fig. 10.12 - Anta e menires da Granja de S. Pedro
(seg. Almeida e Ferreira, 1971: est. 1, adaptado).



Nesta área, não dispomos, em geral, de qualquer tipo de evidências cronológicas, exceto em dois casos particularmente interessantes. O primeiro é o da Anta da Granja de S. Pedro (Idanha-a-Nova), onde foram descobertos dois menires soterrados pela mamoa do monumento funerário (Almeida e Ferreira, 1971), pelo que, obviamente, terão que ser mais antigos do que ele; note-se, porém, que as observações efetuadas pelos escavadores têm sido, sistematicamente, desvalorizadas; na verdade, a serem corretas, teríamos, na Granja de S. Pedro, uma situação semelhante àquela que, mais que uma vez, foi observada na Bretanha (Cassen et al., 2000).

O outro caso, certamente mais invulgar, é o do curioso menir das Cegonhas (Cardoso et al., 1995), que é na verdade um dormente de mó manual pré-histórica, reutilizado como menir; foi descoberto in situ e a escavação permitiu identificar as respectivas estruturas de implantação. Este exemplar remete, aliás, para o fenómeno, muito frequente, de inclusão de fragmentos de mós em construções megalíticas.

Em termos de dimensões, os menires do Noroeste peninsular (em sentido amplo) apresentam dimensões moderadas, tendo, os maiores, comprimentos na ordem dos 3 m. A maior parte é anicónica, e os escassos motivos reconhecidos são normalmente os cruciformes, motivos de difícil atribuição cronológica e cultural que ocorrem igualmente nos menires da Cantábria e Pirinéus ocidentais. O menir de Gargantans (Fig. 10.13) (Bueno e Balbín, 1996: 43, 45), na Galiza, decorado com um serpentiforme vertical, surge como um caso isolado e, de certo modo, atípico.

O balanço, provisório por certo, da informação disponível, sugere uma escassa intensidade global do fenómeno menírico, inversamente proporcional à do megalitismo funerário, à da arte megalítica e mesmo à da arte rupestre de ar livre. Mais sugestiva, certamente, parece a relação entre os menires e a presença, igualmente escassa, de vestígios de habitat do Neolítico antigo, apesar das previsíveis lacunas da investigação, num tema que só recentemente começou a emergir, nesta área (Valera, 1998; Otero e Fabregas, 2000;Monteiro-Rodrigues, 2000; 2002; Sanches, 2000; 2003).

10. 4. Cornija Cantábrica e Pirinéus Ocidentais (Astúrias, Palencia, Cantábria, Burgos e País

Basco)

O Norte da Península, entre as Astúrias e Navarra, apresenta um número relativamente elevado de menires e recintos com menires, com uma gradação notória de Oeste para Leste, tratando-se, numa perspectiva global, de um fenómeno “de corte oriental mais que atlântico” (Ruiz, Diez e Lopez, 1993).

Na verdade, a forte densidade aparente dos menires e recintos do País Basco, observável na cartografia apresentada, precisa de ser relativizada: a maioria esmagadora dos chamados cromlechs (ou ainda, em basco, baraltz) tem pouco ou nada a ver com os recintos megalíticos (também referidos com o mesmo termo bretão) da Europa atlântica: trata-se, pelo menos na sua maioria, de monumentos funerários proto-históricos (sobretudo da Idade do Ferro), que, muitas vezes, nem sequer incorporam verdadeiros menires (Blot, 1977, 1984, 1988, 1998; Altuna et al., 1990;Vegas, 2001).

Em todo o caso, existem no País Basco bastantes menires isolados cuja funcionalidade, ainda que nalguns casos possa estar eventualmente relacionada com os baraltz, é certamente diversa e cujas dimensões se destacam normalmente dos pequenos monólitos que integram os referidos recintos. Merece, nesse sentido, uma referência especial o menir de Mugarriaundi, com cerca de 5,40 m (Peñalver, 1990).

Fig. 10.13 - Menir de Gargantans (Bueno e Balbín, 1996: 43).

Fig. 10.14 - Menires do País Basco (segundo Altuna et al., 2000, adaptado).

Fig. 10.15 - Menires da Cantábria (segundo Ruiz et al., 1993, adaptado).

Fig. 10.16 - O conjunto de Sejos (Bueno et al. 1995: 89).


Fig. 10.17 - Dimensões, forma e matéria-prima de menires isolados do País Basco e Cantábria.


Mais para ocidente, sobretudo na Cantábria, mas com um número considerável também mais a Sul, na Província de Burgos, existem muitos menires isolados, a par de uma quantidade menos significativa de recintos megalíticos; alguns destes, localizados na Cantábria oriental, parecem integrar-se ainda na família dos cromlechs bascos, como sugerem os casos de Maya, Piruquito, El Henal, Biroleo 1 e 2 e Arriatara Ugarane, este último escavado e, com base nos artefatos líticos recuperados, atribuído ao Bronze final (Diez e Ruiz, 1993).

Fig. 10.18- Plantas de recintos cantábricos (seg. Diaz et al., 1991, adaptado).

Contudo, existem outras situações muito distintas, de que se destaca o recinto de Sejos (Fig. 10.16), constituído por cinco monólitos de arenito local, dois deles decorados com iconografias que, segundo os escavadores, remetem para cronologias calcolíticas e funcionalidade eventualmente ritual; a escavação permitiu, igualmente, neste caso, reunir alguns artefatos, nomeadamente um elemento de mó manual, um artefato de pedra polida, um polidor e lascas de sílex pouco características (Bueno et al., 1985).

A atribuição cronológica proposta é, aliás, coerente com outra obtida no recinto de Peña Oviedo (Fig. 10.18), (Diaz, Diez e Robles, 1991) centrada nos inícios do III milénio a.C., onde se recolheram, também, alguns artefatos microlíticos e escassa cerâmica.

Uma nota especial para o recinto da Corona de Campóo (Fig. 10.18), cujas dimensões e forma aparentemente aberta, parece indicar uma realidade diferente ((Diaz, Diez e Robles, 1991).

Tal como nos Pirinéus ocidentais, alguns menires cantábricos atingem dimensões notáveis, próximas ou superiores a 3 m (Gutierrez Morillo, s.d.); um deles, o menir de El Cabezudo, tem um comprimento total de 4, 85 m (Montes Barquín, s.d.).

Para os menires isolados, em geral, por falta de outro tipo de dados, as cronologias propostas assentam, quase invariavelmente, na premissa de que os menires são contemporâneos das sepulturas megalíticas; esta leitura é, em muitos casos (mas não todos) favorecida pela frequente proximidade espacial entre menires e dolmens (Peñalver, 1990: 428; Ruiz et al., 1993: 59; Teyra Mayolini, 1994), situação em que os menires são logicamente interpretados como marcos indicadores (Serna Gonzalez, 1997). É verdade que algumas escavações e recolhas de superfície têm igualmente contribuído para reforçar essa sincronia genérica, fornecendo alguns artefatos líticos pré-históricos (lascas, raspadeiras e lâminas de sílex), em associação espacial com os monólitos (Peñalver, 1990: 432, 433); na escavação do Ilso de Hayas, porém, os materiais líticos, de feição microlaminar, sugerem “os momentos iniciais do Neolítico”, em que se manteriam alguns aspectos técnicos de tradição epipaleolítica (Serna Gonzalez, 1997: 202).

Uma datação radiocarbónica muito recuada, feita sobre carvões recolhidos próximo da base do menir, foi considerada, naturalmente, anómala, e interpretada como indiciando “o início de umas ocupações habitacionais que poderiam ser sincrónicas com as que oferecem sítios de concheiros” (Serna Gonzalez, 1997: 204).

As prováveis fontes de matéria-prima localizam-se sempre nas proximidades imediatas (0-2 Km), havendo casos em que menires de arenito se localizam sobre terrenos calcários e outros, sempre pouco frequentes, em que ocorre a situação inversa (Ruiz et al., 1993: 58).

 Na verdade, o arenito foi o material mais usado, seguido dos calcários.

Exceptuando o caso de Sejos (Bueno et al., 1985) e um ou outro elemento desgarrado, como o menhir de Aitzpikoarri, em que aparece gravada a “silhueta de um pássaro” (Ruiz et al., 1993: 58), a decoração mais recorrente dos menires desta área é constituída por motivos cruciformes (Diez e Ruiz, 1993: 49; Ruiz et al., 1993: 58; Peñalver, 1990: 422); note-se que a cronologia pré-histórica dos cruciformes tem sido, com frequência, posta em causa, com base em alguns casos conhecidos de clara inspiração cristã, embora se trate igualmente de um tema bem representado na Arte Esquemática ibérica.

Em termos morfológicos, os menires apresentam, geralmente, perfis muito angulosos, de secções retangulares, sobre os quais não parece ter havido, por norma, nenhum trabalho de regularização: a forma dos monólitos relaciona-se, portanto, com as características da matéria-prima disponível, implicando “um processo de seleção da rocha base” (Ruiz et al., 1993: 58); Xavier Peñalver observou, a esse respeito, que o arenito, devido às suas componentes mineralógicas (nomeadamente as micas), possui características físicas que o “tornam apto” para produzir “grandes lajes planas”, enquanto os calcários se apresentam, por seu turno, “em grandes bancos estratificados”, onde a erosão lhes pode conferir um aspecto arredondado (Peñalver, 1990: 414).

Em termos paisagísticos, está bem definida uma preferência por pontos relativamente elevados (cumes, lombas, portelas), em áreas predominantemente montanhosas; existem, no entanto, alguns menires localizados igualmente em fundos de vale, sobretudo nas áreas de relevo mais suave (Peñalver, 1990: 36, 411; Ruiz et al., 1993: 59; Serna Gonzalez, 1997: 199).

10.5. Catalunha

Fig. 10.19 - Menires da Catalunha (segundo Tarrùs, 2000, adaptado)

A metade setentrional da Catalunha é também relativamente fértil em monumentos meníricos (Tarrús, 2002), sendo alguns de dimensões apreciáveis.

A matéria-prima mais frequente é o granito e outras rochas granitóides, embora existam igualmente menires de rochas metamórficas (xisto e gnaisse); todos provêm teoricamente de fontes de matéria-prima disponível no contexto imediato, dentro de um raio de 500 m (Tarrùs, 2000).


Fig. 10.20 - Dimensões, forma e matéria-prima dos menires da Catalunha

Não se conhecem recintos megalíticos, pelo menos no sentido habitual da expressão; no entanto, J. Tarrús (2002) escavou, no Alt Empordà, o menir de Els Estanys I, em volta do qual foi registado um recinto constituído por um “ túmulo de terra, semicircular, adossado” ao menir, pelo lado sudoeste, e por “um muro de pedra seca, ligeiramente semicircular também”, pelo lado oposto; paralelo ao muro, pelo lado externo, uma depressão semicircular com buracos de poste (Tarrús, 2002: 680-682). A cronologia pré-histórica desta estrutura parece indiscutível, atendendo sobretudo a que, na escavação, foram recolhidas cerâmicas manuais, lisas e de bordos simples e um fragmento de lâmina de sílex. Apesar do carácter relativamente incaracterístico dos artefatos referidos, o escavador sugere uma cronologia dentro do Neolítico médio regional, proposta que assenta na ausência de determinados artefatos e na proximidade espacial com o dólmen de Els Estanys II) (Tarrús, 2002: 683).

No entanto, a comparação global da distribuição dos vestígios de habitat do Neolítico médio (Martín, 1991a, 1991b) e da distribuição dos menires, parece demonstrar um desfasamento geográfico significativo entre os dois fenómenos; esta discrepância pode, em todo o caso, corresponder a problemas de investigação relacionados com a detecção dos habitats de ar livre, uma vez que a maioria dos sítios cartografados correspondem a ocupações em gruta.

O interesse dos menires catalães e dos resultados do aprofundamento futuro do respectivo estudo, no contexto da Península Ibérica, prende-se com o carácter mediterrânico desta região e a possibilidade de vínculos a outras áreas meníricas que, por serem alheias (resta ver até que ponto) às correntes atlânticas, foram excluídas deste trabalho.

Sem esquecer os menires tardios das Baleares, sistematicamente associados às taulas, conhecem-se, no Mediterrâneo, outros conjuntos de menires, recintos e, sobretudo, alinhamentos cujas cronologias oscilam, em grande parte, entre o Calcolítico e a Idade do Ferro, mas onde têm surgido, ultimamente algumas datações mais antigas. Um dos exemplos mais pertinentes são os resultados das escavações recentes nos menires corsos de Renaghju, em que a fase construtiva mais antiga remonta, ao que parece, a meados do V milénio a.C, embora se tenha datado, no mesmo local, uma ocupação, supostamente sem menires, atribuível ao Neolítico antigo da Córsega, com uma data, obtida a partir de carvões de uma lareira, da primeira metade do VI milénio a.C. (D’Anna et al., 2000). Num outro texto, sobre osmenires do Sartenais, deixa-se no ar a possibilidade, de “a origem destes monumentos” poder ser “mais antiga do que se pensava e situar-se no Neolítico Medio, como em Renaghju (D’Anna e Leandri, 2000: 131).

10.6. Outros

Para além destas cinco áreas que, genericamente, possuem alguma coerência geográfica e arqueológica existe, na Península Ibérica, um conjunto de casos, aparentemente pontuais, quase todos descobertos a partir dos inícios dos anos 90 do século passado e cujo isolamento pode, por hipótese, corresponder a lacunas da investigação.

O menir da Sierra de la Tercia, na Província de Murcia (Ayala et al., 2000) é um monólito de calcário, com cerca de 4 m de comprido, em cuja base foram recolhidos materiais arqueológicos de tipologia genericamente neolítica (pontas de seta, lâminas de sílex e instrumentos de pedra polida); desconhece-se o significado cultural dessa associação, tanto mais que se trata de um fenómeno sem paralelos conhecidos, na Península Ibérica. Os dados publicados, embora pouco explícitos, parecem evocar um depósito votivo.

Mais próximos de nós, conhecem-se alguns menires na Sierra de Huelva (Dominguez et al., 1996), em parte ainda inéditos (Leonardo Garcia, com. pessoal), para além de um pequeno conjunto publicado no início dos anos 90 (Berrocal, 1991). Trata-se de monólitos para os quais, mais uma vez, não se conhecem dados cronológico-culturais relevantes e que, por analogia com realidades mais ocidentais, têm sido considerados genericamente neolíticos ou calcolíticos; os menires del Rábano e o da Palanca del Moro (Fig. 10.21), ambos decorados com covinhas, apresentam morfologia e dimensões que, a priori, sugerem essa suposta sincronia. Os menires de Fregenal de la Sierra, de dimensões muito modestas, permitem talvez uma outra leitura, atendendo a que o sítio se localiza em aparente articulação espacial com o povoado da Idade do Ferro de Cantamiento de Pepina (Berrocal, 1991).

Há ainda a acrescentar os menires de La Cerca (Fig. 10.22), na Alta Extremadura (Jímenez, 2000), cuja particularidade reside no facto de ostentarem gravuras incisas, em zig-zag, repetindo um

motivo comum na arte megalítica dolménica, mas pouco ou nada representado nos restantes menires da Península Ibérica (onde os motivos serpentiformes, menos angulosos, são, efetivamente, muito

mais frequentes).

                Fig. 10.21 - Menires del Rabano (1) e de la Palanca del Moro (2), na serra de Huelva (seg. Dominguez et al., 1996)



Fig. 10.22 - Menires de La Cerca (seg. Jímenez, 1999: 384, 385, 387).

Fig. 10.23 - Vista lateral da estátua-menir de Navalcán (seg. Bueno et al., 1999: 57).

Também na Extremadura, destacam-se os menires (ou estátuas-menires) implantados no interior dos monumentos funerários de Navalcán e de Guadalperal, na Província de Toledo, numa área em que se conhecem também os menires isolados de Guadyerbas e de La Laguna del Conejo (Bueno et al., 1999). A peça mais interessante de Navalcán apresenta gravuras que se aproximam da temática (báculo, figura quadrangular, serpentiforme) e da técnica (baixo-relevo) documentadas nos menires do Alentejo Central e da Bretanha, aspecto que levou os descobridores a afirmar que “as representações megalíticas, os seus temas e técnicas, têm antecedentes muito mais antigos, sob a forma de estátuas, estelas ou menires” (Bueno e Balbín, 2002: 615). Efetivamente, as semelhanças apontadas podem indicar uma permanência pontual de um fundo iconográfico anterior ou, em alternativa, corresponde à reutilização de menires em contexto arquitetónico funerário, fenómeno perfeitamente atestado na Bretanha (L’Helgouach, 1983; Le Roux, 1984a; L’Helgouach, 1996; Cassen et al., 2000) e de que, no Alentejo Central, foram também ultimamente observados alguns indícios (Calado, Alvim e Henriques, n.p.).

Finalmente, para fechar o círculo dos menires peninsulares, aquele que é, certamente, o conjunto mais próximo, espacial e culturalmente, dos menires do Alentejo Central: os monumentos do distrito de Portalegre (Oliveira, 1985; 1997;1998; Martins et al., 1999; Oliveira e Oliveira, 1999-2000; Silva e Albergaria, 200; Lopez-Romero, 2004). Por enquanto, conhecem-se nesta área, apenas dois recintos megalíticos e cerca de uma dúzia de menires isolados.


Fig. 10.24 - Vista geral do recinto do Alminho.

Fig. 10.25 - Aspecto do recinto do Torrão, com o fosso calcolítico em primeiro plano.

O recinto do Alminho (Fig. 10.24), em Ponte de Sor (Martins et al., 1999), atualmente muito destruído, apresenta características (forma e dimensões dos menires, implantação e exposição) que remetem, sem grandes ambiguidades, para os recintos complexos em forma de ferradura, como o de Cuncos, Fontaínhas, Casas de Baixo ou Tojal e localiza-se num contexto arqueológico que, significativamente, tem alguns indícios que remetem para uma fase antiga do Neolítico regional (Martins et al., 1999; Deus, 2002).

O recinto do Torrão (Fig. 10.25) (Albergaria e Silva, 1995; Silva e Albergaria, 2001), destaca-se dos restantes monumentos alentejanos, em dois aspectos particulares: as dimensões muito diminutas dos menires (para os quais não foi possível recuperar a disposição original, mas que, em termos do local de implantação, parecem corresponder aos padrões mais frequentes), assim como os vestígios associados; de facto, anexo aos menires, foi identificado um povoado de fossos, de cronologia aparentemente calcolítica, o qual, curiosamente, não ocupou a parte superior do cerro, onde se dispersam atualmente os monólitos. Por outro lado, foi identificada, a pouca distância do sítio, numa rechã, uma sepultura submegalítica, em cuja estrutura parecem ter sido reutilizados menires.

No nordeste do distrito, localiza-se um conjunto muito interessante de menires isolados, de que vale a pena destacar, sobretudo, os três mais monumentais: o da Meada, o do Patalou e o do Carvalhal (Fig. 10.26, 10.27 e 10.28) (Oliveira e Oliveira, 1999-2000).

O menir da Meada é, certamente, o mais longo da Península Ibérica e talvez o mais  pesado; é um menir de forma cilindróide e localiza-se perto do topo de uma encosta exposta a Este; uma data obtida a partir de carvões retirados do fundo do alvéolo, aponta, como se viu, para um momento avançado do Neolítico antigo regional (Oliveira, 1997: 234).

O de Patalou, de menores dimensões, é um menir perfeitamente integrável, em termos morfológicos, na categoria dos grandes menires cilíndricos (ou ovóides alongados) do Alentejo Central, com uma implantação também dentro das normas mais frequentes nesta última área.

Pelo contrário, o menir do Carvalhal, de forma muito achatada e silhueta mitriforme, apresenta uma implantação/exposição um tanto ambígua e não tem, morfologicamente falando, paralelos óbvios no Alentejo Central, nem que se saiba, noutra área peninsular, se excluirmos os menires bascos que, sendo frequentemente achatados, têm silhuetas mais quadrangulares, de acentuada angulosidade.

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                                                        Fig. 10.26 - Menir da Meada. (1, seg. Oliveira, 1997: 237)

Fig. 10.27 - Menir de Patalou.

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Fig. 10.28 - Menires de Portalegre: 1- Carvalhal ; 2- Água da Cuba (seg. Oliveira, 1998, adaptados).

Todos os restantes menires do Noroeste do distrito de Portalegre, tendo em conta as dimensões, formas, implantações e contextos, são de difícil classificação; acrescentaria, no entanto, ao conjunto acima referido, o menir del Cabezo, em Alcántara, no lado espanhol do mesmo território natural. Trata-se, ao que parece, de um grande menir cilíndrico (Bueno, 2000: 47).

O granito foi a matéria-prima sistematicamente utilizada, embora muitos apareçam geologicamente descontextualizados: os do Noroeste, parecem relacionar-se positivamente com a fronteira geológica entre xisto e granitos (Oliveira, 1998); além disso parecem alinhar-se, como muitos do Alentejo Central, com orientação geral concordante com a da Lua de Primavera (Silva e Calado, 2004).

Para além de algumas covinhas e uma ou outra suspeita, não se conhecem, efetivamente, menires decorados, nesta área.

10.7. Síntese

No que diz respeito às dimensões dos menires individuais, as diferenças entre o Alentejo Central e as outras áreas peninsulares são pouco significativas; no entanto, se considerarmos os monumentos no seu todo, é evidente que não existe, em nenhuma outra área da Península, nenhum monumento que se compare, em termos do esforço investido, com os recintos complexos da área de Évora.

Quanto às diferenças observadas, em termos morfológicos, entre os menires das diversas áreas peninsulares, a maior parte delas pode eventualmente explicar-se pelas especificidades das matérias-primas disponíveis, nomeadamente o elevado índice de achatamento dos menires bascos, comparados com os do Alentejo Central, ou as semelhanças entre estes e o menires catalães.

Em termos iconográficos, é igualmente notória a singularidade dos menires do Alentejo Central: nas restantes áreas - exceptuando o Algarve - a decoração não existe, ou é muito rara ou, no caso dos cruciformes cantábricos ou bascos, de complicada atribuição cronológica.

No que diz respeito às orientações, quer em função de eventos astronómicos, quer de características fisiográficas do terreno, ou de ambas, que foram observadas nos menires alentejanos, não dispomos de estudos específicos sobre as restantes áreas, embora seja de supor a existência de padrões semelhantes.

Em relação ao Algarve, as diferenças esbatem-se, em alguns aspectos fundamentais, como é a decoração ou os contextos arqueológicos associados ; porém, permanecem igualmente muitas interrogações, nomeadamente de carácter tafonómico e contextual, que dificultam as comparações entre as duas áreas.

Provisoriamente, enquanto se aguardam dados mais eloquentes, os menires algarvios parecem ser os mais antigos; note-se, no entanto, que é difícil encontrar nos menires do Alentejo Central, elementos que indiquem uma filiação direta, apesar da proximidade geográfica relativa: os símbolos gravados nos menires de ambas regiões têm personalidades próprias, mas mesmo assim remetem para um ambiente cultural comum . Resta avaliar o papel do fator tempo nas convergências óbvias e naturais entre os menires do Sul de Portugal.

Atendendo à intensidade relativa do fenómeno menírico no Alentejo Central, é provável que os raros menires que têm vindo a ser descobertos na Extremadura espanhola correspondam a uma penetração, para Leste, através do caminho natural que é o festo Tejo-Guadiana, no caso dos da província de Cáceres, e descendo e cruzando o Guadiana, nos da serra de Huelva; nesta perspectiva, os menires do distrito de Portalegre constituiriam uma escala intermédia (em termos geográficos, mas também em relação às intensidades relativas) entre o Alentejo Central e a Alta Extremadura.

Em contrapartida, o Norte de Espanha ou a Catalunha dificilmente encaixariam nesta leitura: as  as diferenças sugerem realidades culturais sem relações diretas, embora, eventualmente  aparentadas.

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Abstract

     Este trabalho corresponde ao Volume 1 de uma Tese de Doutoramento, defendida na FLUL, em 2005 e aprovada por unanimidade. O júri, como ...