3.1. Os pressupostos teóricos
Procurei, neste trabalho, tomar em consideração e conjugar as diversas propostas teóricas que, nas últimas décadas, se têm vindo a confrontar no pensamento arqueológico contemporâneo. Postos de lado os casos mais exacerbados e radicais de cada corrente, estamos hoje em condições de reconhecer em todas elas contributos críticos positivos e avanços metodológicos que podem enriquecer cumulativa ou alternativamente a investigação arqueológica (Alarcão, 1996; Gallay, 1986). Efetivamente, os anos noventa do século passado viram surgir tentativas de síntese ou de conciliação que implicam quer o reconhecimento dos pontos fracos e dos becos sem saída de alguns paradigmas, quer das propostas mais fecundas que cada um deles gerou (Bradley, 1993; Kohl, 1993; Bell, 1994; Renfrew, 1994a, 1994b; Zubrow, 1994; Shanks e Hodder, 1995; Hodder, 1999).
Na tradição europeia continental e da própria escola onde me integro, adoptei uma valorização básica do trabalho de campo, da recolha e análise dos dados, consciente, apesar de tudo, da insuficiência das velhas crenças positivistas: não basta, efetivamente, acumular evidências e estas raramente falam por si.
Trata-se, antes de mais, de uma perspectiva integralmente arqueológica, daquelas que nascem, crescem e se reproduzem nos Departamentos de História da nossa tradição cultural. Não procurei, por coerência e por opção, travestir este trabalho de superficiais matizes antropológicos. Evitei, por norma, fundamentar interpretações em paralelos etnográficos (ou mesmo estudos etno-arqueológicos), embora não deixe de referir autores que se abalançaram nesses terrenos ou de invocar, eu próprio, um ou outro exemplo. É certo que o meu tema de estudo (por ser tão transversal no tempo e no espaço) se presta a exercícios desse tipo; no entanto, prefiro, mesmo que sem muita rigidez, tratá-lo num contexto cultural concreto.
É, pois, numa abordagem muito mais histórica do que neo-arqueológica que este trabalho se tece: as cronologias, por muito instáveis que ainda sejam, são, a par das especificidades geográficas, as referências fundamentais em que se procura dar sentido aos cacos e pedras que, não constituindo um fim em si mesmos, são, por definição, uma das principais matérias-primas arqueológicas.
Por formação humanista (e, em parte, por defeito) tenho horror aos números e gráficos, sobretudo quando eles não fazem mais do que dar roupagem científica àquilo que, por outros meios, já sabíamos ou acreditávamos (Djindjain, 1991: 28); mesmo assim, procurei, modestamente, alguma quantificação dos dados e, das análises efetuadas, apresentar aqui as mais significativas. Em contrapartida, tenho fascínio pelos mapas e pela relação entre os homens e as paisagens que, em diversas escalas, eles nos permitem visualizar; sou, talvez, neste pormenor, influenciado pela antiga simbiose entre História e Geografia e, indiretamente, pela obra do grande Mestre da minha Universidade que foi Orlando Ribeiro.
A Nova Arqueologia e os seus contributos, pelo menos nas versões mais mitigadas que hoje subsistem, emergem, aqui e ali, de uma forma estruturante, em algumas opções metodológicas. De facto, a tese que aqui se defende partiu de um modelo, construído indutivamente, de que resultaram hipóteses testadas por novas investigações. E, como seria de esperar, nesse percurso, foram surgindo outras versões e alternativas, como resultado das novas evidências entretanto avaliadas.
É verdade também que, alertado para o carácter redutor do método hipotético-dedutivo, não recusei interpretações aparentemente menos escoradas, na expectativa de reavaliações e reformulações inevitáveis. A arqueologia e a história têm, em suma, como destino, oscilar entre a arte e a ciência, num processo em que a intuição e o teste, a razão e a emoção não são antinomias exclusivas (Gonçalves, 2004: 181). Trata-se, não o esqueçamos, do fenómeno humano como objeto e como sujeito.
Os menires impõem, pela sua própria natureza, a formulação de questões de ordem simbólica e ideológica: nem por isso estarão ausentes deste trabalho algumas reflexões sobre os contextos económicos e tecnológicos que lhes subjazem. Sem partilhar as perspectivas funcionalistas que fizeram furor nos anos sessenta e setenta, procurarei integrar, na medida do possível, o fenómeno e as sociedades que lhe deram origem nas circunstâncias ecológicas e demográficas concretas que, mesmo que não tenham sido sempre as causas da mudança são, certamente, elementos a ponderar.
A perspectiva fenomenológica (Ingold, 1993; Tiley, 1994; Bradley, 1998; Cooney, 2000; Scarre, 2002) na relação dos menires com as paisagens, é certamente uma das mais fecundas: são monumentos que, partindo de uma determinada percepção das paisagens naturais, lhes acrescentaram significados e condicionaram a leitura.
As questões mais complexas colocam-se, naturalmente, com os recintos megalíticos. Numa escala crescente, importa interpretar, em primeiro lugar, a escolha da própria região, atendendo à concentração peculiar de recintos no Alentejo Central; em seguida, a escolha dos locais, no âmbito da paisagem regional e, por último, a implantação, a forma e a decoração dos monumentos. Na verdade, estes aspectos são abordados, pela ordem inversa, nos capítulos 6, 7 e 8.
A condicionar uma análise deste tipo, como qualquer outra de carácter interpretativo, colocam-se, à cabeça, os problemas cronológicos.
Desde logo, e apesar de partilharem, em maior ou menor grau, um certo número de características comuns, os recintos megalíticos não foram com certeza construídos todos ao mesmo tempo; por outro lado, menires isolados, monumentos funerários, arte rupestre e povoados implicam, por definição, sincronias e diacronias em relação aos recintos que, na exata medida em que os dados o vão permitindo, tendem a revelar-se mais complexas.
As cronologias são, portanto, dentro de limites ainda estreitos, abordadas, neste trabalho, cruzando o maior número possível de dados e indícios: associações espaciais, datações radiocarbónicas, artefatos, paralelos; por outro lado, devido ao carácter localizado dos monumentos cujas especificidades apelam para explicações muito contextualizadas, poderia afirmar-se que, para além dos menires, é o próprio Alentejo Central, numa perspectiva paisagística, que constitui o tema deste trabalho.
A paisagem, concebível como área de captação de recursos ou como território político, não é excluída nesta aproximação; no entanto, a natureza eminentemente simbólica dos menires obriga a uma leitura simbólica das paisagens que eles requalificaram. Difícil, se não impossível, será destrinçar, na visão do mundo dos construtores de menires, esses diferentes níveis de relação.
Os menires representam um novo capítulo na história da arte europeia; efetivamente, é no domínio do comportamento simbólico e cognitivo, que se colocam as questões mais pertinentes e, de certo modo, os menires são indissociáveis de um estudo contextual da arte rupestre. Trata-se, evidentemente, “das áreas do comportamento que, ao fim e ao cabo, nos tornam distintivamente humanos e nos separam mais claramente dos animais” (Scarre,1994: 75).
3.2. Metodologia
3.2.1. Os trabalhos de campo
Uma base de dados constitui o terceiro volume deste trabalho; nela, procurei, desde o início, reunir a informação disponível na bibliografia, genericamente atribuível ao Neolítico e ao Calcolítico, no âmbito da área de estudo definida. No capítulo seguinte será feita referência, na perspectiva da história da investigação, às principais fontes utilizadas.
Os dados novos que, por muito que nos custe, são o contributo mais sólido num exercício desta natureza, resultaram principalmente de um programa extensivo de prospecções arqueológicas; em boa medida, a eficácia das abordagens macroespaciais, de ordem paisagística ou territorial, depende fundamentalmente da consistência dos dados proporcionados pela prospecção de superfície.
Apesar das óbvias limitações que afetam a informação arqueológica de natureza exclusivamente superficial, nomeadamente a falta de estratigrafias, de cronologias absolutas e de dados paleoeconómicos diretos, a prospecção é o único método que permite ultrapassar o estudo casuístico dos sítios arqueológicos; estes deixam de ser vistos como ilhas e, naturalmente, adquirem significados distintos, conforme os contextos em que se inserem, tal como os artefatos que, podendo ser estudados isoladamente, ganham novos sentidos, se integrados em contextos estratigráficos. Por outras palavras, os “sítios ganham sentido em virtude das suas relações com outros sítios e com aspectos físicos da paisagem social pré-existente.” (Preucel, 1999: 170) .
De resto, como sabemos, o carácter parcelar da informação de superfície é extensivo a todas as áreas da investigação arqueológica, e não só. Os modelos e as interpretações que podemos e devemos produzir assentam, quase todos, em informação muito truncada e, quase por rotina, encontramos na literatura arqueológica, esse reconhecimento; prospecção, escavação, estudo de artefatos são, entre outras, áreas fundamentais da investigação arqueológica cujas diferenças exigem metodologias próprias e que, em boa verdade, correspondem a escalas de análise distintas e complementares e, cada uma por si, produz resultados específicos, aptos a responder a questões de diversas ordens.
No âmbito deste trabalho, em que se procura valorizar a contextualização regional dos menires centroalentejanos, a prospecção de superfície foi, desde o início, definida como prioritária.
Muitas das prospecções que efetuei ou dirigi, no Alentejo Central, sobretudo a partir de 1990, inseriram-se em projetos setoriais, de alcance diacrónico, nomeadamente a elaboração de Cartas Arqueológicas municipais (Calado, 1993a; Calado e Mataloto, 2001; e.p.), Inventários Arqueológicos inseridos nos Planos Diretores Municipais (Calado, 1992; 2003a), Estudos de Impacte Arqueológico (Calado, 1995c; Calado e Mataloto, 1999; Calado, 2002b) ou simples levantamentos arqueológicos de propriedades privadas (Gonçalves et al, 1992; Calado, 2001c); outras, enquadraram-se num projeto de investigação académica, concluído em1995, dirigido especificamente para o estudo do povoamento neolítico e calcolítico na região da serra d’Ossa (Calado, 1995a; 2001a); por último, desde 1997, novas prospecções foram efetuadas no contexto do projeto MAC (Menires do Alentejo Central), com o apoio do Instituto Português de Arqueologia. Esta última fase, que decorreu em paralelo com alguns dos projetos acima mencionados, foi particularmente orientada para a colmatação de lacunas de prospecção, em áreas que, por diversas razões, não tinham ainda sido contempladas.
Tratou-se, na generalidade, de prospecções seletivas, cujos resultados podem, até certo ponto, constituir uma amostragem informal do potencial efetivo da área de estudo (Calado, 2001a). Embora tivessem sido usadas sistematicamente as técnicas clássicas de prospecção “de gabinete”, nomeadamente a análise cartográfica (toponímica, topográfica, geológica e mineira, pedológica, etc.) e aerofotográfica, e, no terreno, a recolha de informação oral, a verdade é que a grande maioria dos sítios inéditos foi identificada com base na observação direta e programada do terreno.
Num balanço global, verifica-se que o único tema em que, na minha área de estudo, as prospecções não alteraram significativamente a informação de partida, foram as sepulturas megalíticas. O universo funerário, conetável, mais ou menos diretamente, com os menires foi, mesmo assim, consideravelmente acrescentado, em particular no que diz respeito às sepulturas que designei como submegalíticas, aquelas que, por serem mais discretas e frágeis, escaparam mais frequentemente aos inventários clássicos que tiveram como objeto o megalitismo regional (Leisner e Leisner, 1956; 1959).
A arte rupestre, até há pouco irrelevante no Alentejo Central, veio abrir um capítulo inesperado cuja conjugação com a problemática dos menires, por enquanto apenas esboçada (Calado, 2004), aguarda o estudo detalhado das gravuras e a respectiva publicação.
Foi, no entanto, no âmbito do povoamento neolítico e calcolítico que a estratégia adoptada produziu frutos mais abundantes e diversificados: de uma base de dados irrisória, há quinze anos, passámos para uma densidade notável de sítios de habitat de que se destacam, pela novidade e, como defendo, pela concordância espacial com as principais concentrações de menires, os que são enquadráveis no Neolítico antigo/médio (Calado, 1995a; 1995-96; Diniz e Calado, 1997).
Quanto aos menires propriamente ditos, as prospecções sistemáticas permitiram acrescentar dois novos recintos megalíticos e um bom número de menires isolados ou agrupados em conjuntos, dos quais, em parte, já tive oportunidade de publicar referências mais ou menos circunstanciadas (Calado e Sarantopoulos, 1996; Calado, 1997a; 2000b; 2003b).
Embora sem relevância direta para o tema em estudo, destacaria ainda os efeitos colaterais traduzidos na abertura de “dossiers” em matérias (épocas ou tipos de sítios) sobre as quais se registavam, anteriormente, vazios mal compreendidos, como foi, por exemplo, o caso da I Idade do Ferro (Calado e Mataloto, 1999; Calado, 2002b; Mataloto, 2004) ou que eram totalmente ignorados, como foi o caso dos chamados recintos ciclópicos (Calado, 1994-1995). Foram, igualmente, acrescentadas e sistematizadas, as listagens referentes ao Bronze final (Calado e Rocha, 1996-1997) e à Idade do Ferro (Calado e Rocha, 1997), no Alentejo Central.
A natureza dos dados obtidos em prospecção, acarreta, como referi, várias limitações de difícil ultrapassagem.
Os problemas tafonómicos que afetam, nesta como noutras regiões mediterrânicas, as estratigrafias neolíticas e os respectivos conteúdos, são também, infelizmente, responsáveis pelo insucesso na obtenção de dados paleoeconómicos diretos ou de cronologias absolutas, dados que apenas as escavações arqueológicas modernas poderiam, em princípio, obter (Calado, 2000b; 2003b); o mesmo se pode, aliás, afirmar, por exemplo, a propósito das questões micro-espaciais relacionadas com as estruturas de habitat (Diniz, 2004).
No contexto deste trabalho, focado prioritariamente nas mais antigas sociedades camponesas da região, também não foi possível avaliar as questões relacionadas com a perenidade dos sítios de habitat: é provável que, de entre os 845 sítios registados, exista uma ampla variedade de situações, desde os mais efémeros, pelas mais diversas razões, até aos mais duradouros.
À primeira vista, um critério aceitável para ultrapassar tal indefinição poderia ser o da quantidade de materiais recolhidos e da dimensão da área de dispersão dos mesmos. No entanto, a experiência ensina-nos que a escassez de evidências superficiais esconde, muitas vezes drasticamente, as realidades enterradas.
Dado que a lista apresentada não inclui, em princípio, vestígios anteriores ao Neolítico, a classificação de um determinado sítio como sendo de habitat depende, fundamentalmente, da presença de cerâmica. A dúvida mais pertinente, de entre o universo em análise, diz sobretudo respeito aos sítios sem cerâmica, em que ocorrem artefatos supostamente de uso habitacional, como são, por exemplo, os dormentes de mós manuais.
Esta situação verificou-se repetidamente na área de Pavia, em que, por outro lado, existem indícios de que a conservação das cerâmicas é problemática.
A possibilidade de alguns sítios com cerâmica representarem os restos visíveis de estruturas funerárias, não pode, em última análise, ser descartada, embora, por diversas razões, tal não se aplique, concerteza, à maioria dos casos em apreço.
Na verdade, a classificação de um sítio como monumento funerário implicou a existência (em raros exemplares, apenas com base na bibliografia ou na informação oral) de estruturas pétreas ou tumulares, pelo que as lacunas que certamente existem serão, principalmente, por defeito. De facto, estão excluídas do universo funerário registado, modalidades sem monumentalidade aparente que, suspeita-se, corresponderiam às práticas funerárias das mais antigas sociedades neolíticas da região; por ora, o único sítio deste tipo, parece ser, apesar de algumas reticências entretanto surgidas (Soares, 1995), a gruta do Escoural (Santos, 1971; Araújo et al., 1993; Araújo e Lejeune, 1995).
Por último, é possível que alguns dos vestígios que habitualmente interpretamos como habitacionais, correspondam a instalações de natureza ritual, mesmo que não funerária; porém, com os dados disponíveis, apenas os monumentos e a arte rupestre podem, pacificamente, inscrever-se nesta categoria.
As muitas questões que a prospecção deixa, inevitavelmente, por resolver, levaram-me, desde o início deste projeto, a delinear um programa de escavações, cujas metodologias específicas serão apresentadas no capítulo 5.
3.2.2. O registo e apresentação dos dados gerais
Os dados provenientes das prospecções e das recolhas bibliográficas foram registados numa Base de Dados informatizada (Access e Excel), em que se consideraram os seguintes campos:
1. Número de inventário
Atribuído sequencialmente, primeiro aos recintos megalíticos e conjuntos de menires, em seguida aos menires isolados (uns e outros ordenados em função do respectivo peso estimado) e, por fim, a todos os restantes sítios, ordenados alfabeticamente dentro das folhas da Carta Militar de Portugal, na escala 1:25000, que, por sua vez, foram também ordenadas sequencialmente.
2. Designação
Foi, por norma geral, utilizado o topónimo cartográfico mais próximo (na folha da CMP 1: 25000), exceto nos sítios recolhidos da bibliografia, em que se manteve, na medida do possível, a designação usada a fonte mais antiga. Como é também habitual, sempre que existem vários sítios referidos pelo mesmo
topónimo, foram individualizados pela adição de números sequenciais (Ex. Almendres 1, Almendres 2).
Para evitar duplicações e lacunas, foram alterados os números sequenciais de alguns sítios publicados, por forma a que, dentro de cada folha da CMP, não existam sítios com designações idênticas.
3. Tipo
Com base nos critérios mais ou menos habituais na classificação dos dados de superfície, a informação reunida foi integrada nas seguintes categorias:
3.1. Achado avulso
Como é habitual, foi atribuída esta classificação aos sítios cujas evidências se resumem a um ou alguns artefatos dispersos e mal contextualizáveis de que se excluem, por regra, as cerâmicas. Trata-se, provavelmente, na sua maioria, de evidências de tipo off-site, que traduzem atividades pontuais relacionadas com habitats localizados alhures, em áreas mais ou menos próximas, reveladoras em última análise, das áreas de captação de recursos e das linhas de circulação nos territórios. Outros, porém, e deparei várias vezes com esta situação, correspondem à ponta de “icebergs”, que, com melhores condições de visibilidade do terreno, se revelam como verdadeiros sítios de habitat. Um ou outro caso poderia, também, teoricamente, corresponder, como referi a propósito dos habitats, a materiais provenientes de estruturas funerárias destruídas (lâminas de sílex, pontas de seta, ou machados de gume intacto, por exemplo). A informação que os achados avulsos proporcionam é, em função da natureza dos mesmos, muito problemática; permitem, no entanto, avaliar, em conjunção com a restante informação disponível, aspectos gerais relativos à distribuição do povoamento, no tempo e no espaço.
3.2. Povoado aberto
Corresponde a sítios de habitat implantados em áreas pouco declivosas, logo sem defensabilidade natural, e geralmente em solos com elevado potencial agrícola relativo. Uma boa parte deles - de acordo com os dados praticamente inéditos das escavações que dirigi no Alqueva, em três povoados abertos - Juromenha 1 (nº876), Malhada das Mimosas 1 (nº882) e Águas Frias (nº1465), todos com escassa evidência de superfície (Calado, 2002b), assim como das escavações no povoado dos Perdigões (nº2053) (Lago et al., 1998) - devem corresponder a povoados com fossos. Este tipo de estruturas, que só nos últimos anos se tornou patente na região, encontra inúmeros paralelos, alguns deles já clássicos, em outros sectores do Sudoeste peninsular (Fernandez e Oliva, 1986; Cruz-Auñon et al., 1992; Martin de la Cruz e Miranda, 1988; Hurtado Perez, 1995a; Soares, 1994), sendo, por outro lado, recorrente em muitas outras áreas europeias (Darvill e Thomas, 2001; Whittle, 1995).
Conhecem-se, para além disso, dois casos em que povoados abertos revelaram, de uma forma algo insuspeitada, vestígios de sistemas de muralhas: o Monte da Ponte (nº1854), em Évora (Kalb e Höck, 1997), e o Monte Novo dos Albardeiros (nº2383), em Reguengos de Monsaraz (Gonçalves, 1988-1989), situação que se repete no povoado de San Blas, na margem espanhola do Alqueva (Hurtado Perez, 2002).
3.3. Povoado de altura
Foram assim classificados os sítios implantados em locais com evidente defensabilidade natural, no topo de colinas ou de esporões. Muitos deles podem encerrar estruturas de tipo defensivo, como as escavações demonstraram no caso do Porto das Carretas (Mourão) (Silva e Soares, 2002), já fora do âmbito deste trabalho, ou no do povoado de S. Pedro (nº1452) e, aparentemente no do S. Gens (nº770) (Redondo) (Calado, 1995a; 2001a; Rui Mataloto, informação pessoal); outros, mesmo sem terem sido escavados, são fortemente suspeitos de encerrarem sistemas defensivos, atendendo à existência, mais ou menos explícita, de evidências microtopográficas.
Sabemos, hoje, também, que nem todos os povoados de altura, mesmo os que classificamos genericamente como calcolíticos (e que, constituem a esmagadora maioria), são fortificados. Esse fenómeno foi perfeitamente ilustrado no Porto das Carretas, onde, por cima das ruínas arrasadas das muralhas do Calcolítico pleno, foram construídas cabanas com cerâmica campaniforme associada (Silva e Soares, 2002); essa fase sem fortificações foi também bem documentada no povoado de Miguens 3 (nº2112) (Alandroal) (Calado, 2002b) e, de uma forma menos inequívoca, no povoado de S. Gens (nº1451) (Alandroal) (Calado, 1993a, Calado, 2002).
3.4. Povoado “megalítico” aberto
Este tipo foi definido com base na avaliação dos dados obtidos nos últimos anos, em que se tornou notória, na região, uma localização preferencial junto de afloramentos destacados, em áreas de relevo pouco pronunciado, de vestígios de habitat neolítico e calcolítico e, mais raramente, posterior. Trata-se, em todos os casos, de terrenos de substrato granitóide, em que os afloramentos, devido sobretudoa fenómenos de erosão diferencial, se organizam em “ilhas”, separadas por espaços mais ou menos libertos de blocos naturais. A designação “megalítico” alude, em sentido directo, aos referidos afloramentos, formados por amontoados de blocos que evocam as arquitecturas megalíticas e, de uma forma menos denotativa, ao facto de se tratar, como adiante procurarei demonstrar, dos povoados dos presumíveis construtores e utentes dos primeiros monumentos megalíticos da região.
3.5. Povoado “megalítico” de altura
Trata-se de povoados, de que foram identificados escassos exemplares, que diferem dos anteriores por se localizarem em locais com algum comando sobre a paisagem envolvente.
3.6. Anta
O termo, muito generalizado no Sul do país, tem sido frequentemente usado tanto para referir os monumentos de maiores dimensões, como as pequenas sepulturas, que outros designam como proto-megalíticas (Leisner e Leisner, 1956; 1959).
Neste trabalho, os monumentos funerários neolíticos e calcolíticos foram, de uma forma simplificada, divididos em dois tipos fundamentais, seguindo, aliás, uma prática com fortes tradições na investigação peninsular e não só: é certo que, como em todas as classificações, existem zonas de indefinição e que, por outro lado, subdivisões mais complexas teriam sido possíveis. A opção prende-se, sobretudo, com a dificuldade de, com os dados disponíveis, classificar, com mais detalhe, uma boa parte dos monumentos; por outro lado, tomei em consideração um modelo teórico, aparentemente aplicável noutros contextos do megalitismo funerário europeu, em que, mais do que a geometria da planta dos monumentos, se valoriza o modo como se presume que funcionaram (Barrett, 1988; Bradley, 1998: 62; Cooney, 2000: 16), permitindo ou não o acesso dos vivos ao espaço funerário. Esta linha de separação implica igualmente, na maioria dos casos, que umas (fechadas) correspondam geralmente a enterramentos individuais, enquanto as outras (abertas), contenham, por norma, múltiplas tumulações. Para além destes dois tipos básicos, foram igualmente consideradas as sepulturas de falsa cúpula (tholoi) e as mamoas.
O termo anta foi reservado exclusivamente para os monumentos cujo alçado comportaria, presumivelmente, o acesso repetido. Incluem-se neste tipo tanto os monumentos com corredor, como os que, pelo menos atualmente, não aparentam possuí-lo.
3.7. Sepultura submegalítica
Trata-se estruturas funerárias cuja escala, sobretudo em termos de alçado, as distingue do grupo anterior.
A designação proposta atende apenas aos aspectos dimensionais, sem implicar, portanto, nenhuma posição cronológica (Le Roux, 2000: 212). Mesmo que, como vários autores têm vindo a defender, a maioria destes monumentos seja efectivamente mais antiga (Silva e Soares, 1983; Silva e Soares, 2000; Cardoso et al., 2000), a magreza dos dados provenientes de escavações modernas (e não só), recomenda, por ora, uma classificação suficientemente aberta para integrar igualmente monumentos que, segundo alguns dados provenientes de regiões contíguas (Bueno, 1994; Oliveira, 1998; 2000b), serão provavelmente mais recentes.
3.8. Mamoa
Trata-se de restos de construções tumulares, mais ou menos bem conservadas, que não aparentam estruturas pétreas, quer por, efectivamente, estas nunca tenham existido, quer por terem sido retiradas, quer ainda por se encontrarem, eventualmente, soterradas.
3.9. Tholos
As sepulturas de falsa cúpula, ou tholoi, por serem geralmente de difícil detecção, estão certamente sub-representação. Incluíram-se apenas os exemplares razoavelmente bem identificados, quase todos objeto de intervenções arqueológicas.
3.10. Pedra com covinhas
Foram incluídos nesta categoria os painéis decorados com covinhas, associados às quais surgem, ocasionalmente, sulcos de diversas morfologias mas, em nenhum caso, identificáveis com motivos reconhecíveis.
Os suportes podem ser constituídos por afloramentos ou por blocos soltos. As antas ou os menires com covinhas não são incluídos nesta categoria.
3.11. Rocha com gravuras
Foram inseridas neste tipo, todos as restantes manifestações de arte rupestre, à excepção do Complexo de Arte Rupeste do Alqueva que, atendendo à natureza dos dados disponíveis, é apresentado, no final do Volume 3, numa tabela autónoma.
3.12. Monumento natural
Esta categoria integra uma seleção de algumas formações rochosas mais proeminentes, na paisagem regional e que, de uma forma ou de outra, podem ter algum tipo de relação com o objeto deste trabalho.
Em alguns casos, trata-se de geomonumentos que a investigação arqueológica tem vindo a associar ao ambiente das verdadeiras arquiteturas megalíticas (Correia, 1921; Gonçalves, 1970, 1972, 1975; Santos, 1974; Oliveira e Oliveira, 1998; Gomes, 1994; Gomes, 2002), apesar do “aviso à navegação” avançado prudentemente pelos arqueólogos/geólogos dos Serviços Geológicos de Portugal que expressamente evitaram listar “algumas formações geológicas indicadas erradamente como menires e cromlechs” (Ferreira e Leitão,1983: 182).
Noutros, os critérios de escolha assentaram em associações espaciais sugestivas, em que os afloramentos destacados se localizam nas proximidades de sítios de habitat neolíticos ou de menires. Procurei, com este conjunto, a que se poderiam juntar outros exemplares, reunir uma amostra diversificada que ilustre o eventual papel destes elementos da paisagem natural na estrutura das paisagens culturais megalíticas.
4. Cronologia
Com base nos critérios correntes na atribuição cronológica dos dados de superfície (basicamente presenças e ausências de determinados tipos de artefatos), a informação reunida foi integrada em categorias mais ou menos abertas, conforme a qualidade/quantidade da informação disponível.
4.1. Neolítico antigo/médio
Este patamar cronológico pretende incluir, sem, por enquanto, as diferenciar, as evidências que correspondem, por definição, às primeiras sociedades neolíticas, já instaladas, na região, por volta de 5000 a.C. e prolonga-se até meados do IV milénio a.C, altura em que surgiram modelos económicos, sociais e mentais muito distintos, a que correspondem, arqueologicamente, novas formas de implantação na paisagem e novos tipos de estruturas e artefatos.
Os elementos de diagnóstico disponíveis foram, na sua maior parte, constituídos pela presença de cerâmicas com decoração (impressa, incisa ou plástica) e por lamelas ou micrólitos (mapa 5) ; escasseiam a pedra polida, as mós e os percutores e, por outro lado, o sílex atinge, frequentemente, percentagens elevadas dentro das amostras recolhidas.
4.2. Neolítico final
Esta classificação cronológica foi reservada para os sítios (ou, nos casos escavados, as fases) de habitat em que dominam as cerâmicas carenadas e onde não foram recolhidos bordos espessados. Ocorrem, geralmente, associadas a cerâmica mamilada. Os sítios conhecidos apresentam todos uma notória escassez de artefactos, à superfície, embora os poucos que foram escavados, todos com estruturas negativas, se tenham revelado, surpreendentemente, muito bem conservados.
4.3. Neolítico final/Calcolítico
Foram incluídos nesta categoria os sítios de habitat em que as formas carenadas estão bem representadas, mas em que existem igualmente os bordos espessados.
4.4. Calcolítico
Os elementos de diagnóstico que estiveram na base desta categoria, são, no que respeita aos sítios de habitat, sobretudo os bordos espessados, geralmente acompanhados de pesos de tear (crescentes e placas), barro de cabanas, pedra polida, mós, percutores ou xisto jaspóide; são muito raros e, quase todos provenientes de escavações recentes, os elementos que permitem uma melhor definição cronológica, nomeadamente os que remetem para o final do Calcolítico, como são as cerâmicas campaniformes ou as pontas de tipo Palmela.
Também os tholoi foram genericamente incluídos nesta categoria.
4.5.Neolítico/Calcolítico
Contempla todos os sítios para os quais não existem elementos fiáveis para um diagnóstico mais circunstanciado, nomeadamente a maioria dos monumentos funerários e dos achados avulsos e muitos dos sítios de habitat.
5. Coordenadas
As coordenadas dos sítios são apresentadas na Base de Dados geral, em dois campos, correspondendo o primeiro, ao Meridiano e, o segundo, ao Paralelo. Trata-se de coordenadas Militares (GAUSS), uma vez que a cartografia de base utilizada foi a cartografia digital fornecida pelo Instituto Geográfico do Exército, na escala 1: 250.000. O Programa SIG que permitiu a cartografia automática foi o MapInfo 7.0. As coordenadas, expressas em metros, foram diretamente calculadas a partir das folhas 1: 25000 da CMP, nos casos das cartas mais antigas, em que o único sistema de coordenadas retangulares expresso é o sistema GAUSS, ou convertidas através do Utilitário “Transformação de Coordenadas” disponibilizado no site do IGEOE (Instituto Geográfico do Exército), nos casos em que a cartografia militar apresenta expressas as Coordenadas retangulares UTM (Sistema europeu, 1950) ou em que as mesmas foram obtidas através de GPS.
6. CMP
Número da Folha da Carta Militar de Portugal.
7. Rigor cartográfico
É indicada a base cartográfica em que os dados foram publicados ou registados, nos casos em que os estes foram cartografados pelos métodos tradicionais; estão nesta situação todos os dados recolhidos da bibliografia e uma parte dos dados inéditos.
Nos restantes, quer sejam sítios inéditos quer sejam sítios relocalizados, as coordenadas foram obtidos com GPS, tendo sido, para este efeito, usado um aparelho de bolso (Garmin, GPS III Plus). Nos sítios que ocupam áreas mais extensas, as coordenadas referem-se, como é habitual, a um ponto central.
Para além dos casos em que terá havido erro humano na localização cartográfica dos sítios e que só podem ser identificados mediante uma revisão no terreno, o rigor cartográfico varia, por definição, em função da escala da base cartográfica utilizada: os erros de localização serão, à partida, mais acentuados nas situações em que foi utilizada cartografia de pequena escala, no caso presente, a escala 1: 100000 - muitas das antas listadas pelos Leisner (Leisner e Leisner, 1951; 1956; 1959) - ou 1: 50000 - sobretudo as antas inéditas registadas nas várias Cartas Geológicas - e menos importantes, nos casos, que correspondem à generalidade dos trabalhos mais recentes, em que os dados foram cartografados em extratos de folhas da CMP 1: 25000 (Calado, 1993a; 1993c; 1995c; 2001b; 2003a; Calado e Mataloto, 1999; Calado e Mataloto, 2001; Calado e Mataloto, e.p.; Lima, 1992; Mascarenhas, 1995), ou em que foram publicadas as coordenadas obtidas nesse tipo de base cartográfica (Calado, 1995a; Calado, 2001a; Rocha, 1996; 1999; Silva, 1996; 1999; Oliveira, 2001). Nesta última situação, teria sido possível distinguir entre as coordenadas apresentadas com arredondamentos diferentes. O rigor ressente-se mais nos casos em que o arredondamento é feito aos100m (Silva, 1996; 1999) ou aos 50 m (Calado, 1995a; Calado, 2001a; Rocha, 1996; 1999). Nos dados inéditos apresentados neste trabalho, exceptuando os que foram localizados com GPS, reduziu-se o arredondamento para 25 m.
8. Concelho
Este campo foi preenchido com base nos limites concelhios patentes na CMP 1: 25000 e na cartografia dos sítios, sendo de admitir alguns erros decorrentes quer de inexatidões contidas na CMP, no que diz respeito aos limites dos concelhos (algumas delas detectadas e corrigidas), quer dos eventuais erros de cartografia.
9. Bibliografia
Foram registadas, de forma sintética, as principais fontes bibliográficas utilizadas.
10. Materiais
Este campo, refere-se, por norma, apenas aos achados avulsos e aos povoados. Foram discriminados os principais elementos de diagnóstico cronológico e cultural, tendo em conta que se trata, na esmagadora maioria, de sítios que não foram objeto de escavações arqueológicas nem, na maioria dos casos, do estudo quantitativo dos dados de superfície.
No que diz respeito aos sítios escavados, é apresentado, no capítulo 5, uma listagem dos materiais exumados e os desenhos de alguns dos mais significativos.
São apresentados, ainda, em anexo (Capítulo 15.3), os desenhos de materiais, provenientes de recolhas de superfície, em alguns dos sítios de habitat mencionados no texto.
3.2.3. O registo e apresentação dos dados relativos aos menires
Dada a especificidade deste trabalho, foi dado um tratamento especial aos menires, em termos de ficha descritiva (Volume 2). Para além dos campos atrás enunciados, em que foram seguidos preceitos idênticos aos da Base de Dados geral, foram ainda preenchidos os seguintes:
a) Dimensões e forma
As dimensões consideradas foram basicamente aquelas que, por convenção tácita, têm sido utilizadas pela maioria dos autores, nomeadamente:
-C1: Comprimento mensurável, acima do solo (em metros).
-C2: Comprimento total; no caso dos menires exentos, trata-se do comprimento real; no caso dos menires implantados ou fraturados é, geralmente, o comprimento estimado, considerando que, nos menires implantados a parte enterrada corresponde a 20% do total (em metros).
-L: Largura máxima (em metros).
-E: Espessura, medida por um plano perpendicular à Largura máxima (em metros).
-P: Peso estimado (em toneladas). Este valor foi calculado de acordo com a seguinte fórmula: P=(C2 x L
x E x Factor de forma x densidade). Os Fatores de forma utilizados foram obtidos adaptando os valores calculados a partir dos volumes dos sólidos regulares, de que resultou a seguinte tabela: menires ovóides=0,52; menires cilíndricos=0,65; menires prismáticos=0,76 (Fig. 3.1).
Fig. 3.1 - Esquema dos fatores utilizados para o cálculo do volume dos menires.
Os valores usados para as densidade, foram os seguintes: Granito=2,65; Xisto=2,65; Calcário e Arenito=1,8.
-IAL: Índice de alongamento; corresponde à razão Comprimento (C2)/Largura (L);
-IAC: Índice de achatamento; corresponde à razão Largura (L)/Espessura (E).
-Forma: As formas consideradas foram, dentro do possível, aquelas que têm sido mais frequentemente usadas para a descrição dos menires. Foram classificados como Ovóides os menires arredondados cuja largura e/ou espessura diminuem sensivelmente do meio para as extremidades; os menires Cilíndricos são menires arredondados cuja largura se mantém constante, na área mesial, na extensão de, pelo menos, um terço do comprimento total do bloco; os menires Prismáticos são blocos de secção transversal geralmente quadrangular ou triangular, em que predominam as arestas angulosas.
b) Contexto Arqueológico: Foram referidas as realidades arqueológicas consideradas mais pertinentes para o enquadramento arqueológico do monumento.
c) Contexto Paisagístico: Foram considerados aspectos como a exposição do terreno em que o monumento se localiza ou o respectivo enquadramento geológico e, eventualmente, outras características da paisagem considerados relevantes, nomeadamente de carácter topográfico ou hidrográfico.
Os monumentos foram ordenados em função do peso estimado, dentro das seguintes categorias:
1. Recintos e conjuntos
2. Menires isolados
3. Monumentos desaparecidos
4. Monumentos naturais
Fig. 3.1 - Esquema dos fatores utilizados para o cálculo do volume dos menires.
A ficha de cada um destes sítios foi acompanhada, sempre que houve condições para tal, pelo desenho dos menires individuais, compreendendo uma vista principal (a face mais regular ou, de alguma forma, com mais informação arqueológica) e uma secção transversal, desenhada por um plano considerado mais representativo. Os desenhos, executados na escala 1: 20 e apresentados na escala 1: 40, foram tratados digitalmente em Adobe Photoshop e Adobe Illustrator. As decorações foram desenhadas com base na observação direta e com o apoio de imagens noturnas, obtidas com luz rasante.
Nos casos em que existiam desenhos publicados, estes foram adaptados graficamente e foi-lhes acrescentada, quando dela careciam, a secção transversal. Também as dimensões dos menires, quando disponíveis na bibliografia, foram aqui reproduzidas, com uma ou outra adaptação pontual. As medidas inéditas foram obtidas por meio de um pied-de-coulisse especial, com 2 m x 1 m, em alumínio, feito especificamente para este propósito.
Paralelamente, cada ficha foi acompanhada por uma ou mais imagens fotográficas.
Nos cinco sítios que, no contexto deste projeto, foram objeto de escavações/sondagens, é apresentada documentação gráfica complementar, no capítulo 5.
Em termos cartográficos, para além dos mapas de enquadramento geográfico apresentados no capítulo 2, são reunidos em anexo, no capítulo 15.1, os mapas temáticos, de carácter analítico, e, ao longo do texto, foram incorporados mapas temáticos em áreas ampliadas.
Os mapas foram construídos sobre uma base cartográfica digital, na escala 1: 250000, disponibilizada pelo Instituto Geográfico do Exército e os dados foram cartografados, a partir de uma base de dados em Excel, com Map Info 7.0. A análise e construção de mapas setoriais foi feita com o auxílio do Map Info Pro Viewer 7.0.
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